Uma médica veterinária foi presa em flagrante nesta quinta-feira (22) em Bauru, interior de São Paulo, acusada de maus-tratos a animais. A operação ocorreu em uma residência na Vila Industrial, onde dezenas de cães e gatos eram mantidos em condições insalubres, cercados por fezes e urina.
Segundo a Polícia Ambiental, o odor era perceptível até do lado de fora da casa. “Em 25 anos de trabalho na Polícia Ambiental nunca encontrei uma situação dessas”, afirmou o cabo Pelegrino, que participou da ação.
No imóvel, foram encontrados cerca de 40 cães debilitados e aproximadamente 60 gatos, além de um jabuti — animal silvestre que só pode ser criado com autorização —, uma espingarda de chumbinho e uma coleção de facas de caça.
A vistoria foi realizada pela Polícia Ambiental e Militar, com apoio da Comissão de Defesa e Proteção Animal da OAB, do Instituto Luísa Mell e do deputado federal Felipe Becari (União), que acompanharam o resgate.
“Recebemos uma denúncia e solicitamos o apoio do deputado Felipe Becari e sua equipe para apurar. Estamos aqui para acompanhar o caso, que é grave: o crime de maus-tratos aos animais e também o exercício da profissão dentro de estabelecimentos que não são clínicas veterinárias”, declarou Thais Viotto, presidente da Comissão da OAB.
A ativista Luisa Mell, que foi a Bauru para acompanhar um caso de maus-tratos, disse que “essa mulher atende nessa imundice e parece que vários animais já tiveram complicações. Óbvio, o lugar é totalmente insalubre. Os animais estão em armário, cheio de fezes, é uma coisa bizarra mesmo”.
No interior da residência, havia roupas, brinquedos de crianças, livros e fezes acumuladas em todos os cômodos, especialmente na edícula onde os gatos estavam alojados. Questionada, a veterinária informou que mora no local e que enfrenta problemas de depressão. Ela negou que utilizasse o espaço para atendimento clínico, apesar da presença de mesas veterinárias, medicamentos e cilindros de oxigênio.
Os animais foram retirados do imóvel e encaminhados para avaliação veterinária. Eles receberão tratamento médico e castração em clínica parceira em São Paulo, sob tutela do Instituto Luisa Mell, e posteriormente serão disponibilizados para adoção responsável. “É uma mistura de gatil clandestino com acúmulo de animais sem o mínimo de respeito aos seus direitos. O cheiro é insuportável, é gato dentro de gavetas, dentro de armários. É impossível um cirurgião operar ou manipular qualquer droga nesse ambiente”, destacou o deputado Felipe Becari.



