O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em sessão na Câmara dos Deputados (Foto: Câmara)


O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse nesta quarta-feira (28) que “o interesse brasileiro está sempre em primeiro lugar” na relação com outros países, incluindo os Estados Unidos.

Leia mais: Estados Unidos anunciam restrições de visto contra autoridades estrangeiras que censuram americanos

A declaração de Vieira foi feita ao ser perguntado, na Câmara dos Deputados, sobre o anúncio do governo Donald Trump de que vai “restringir o visto de autoridades estrangeiras que são cúmplices de censura a americanos”.

Continua depois da publicidade

O secretário de estado dos EUA, Marco Rubio, não divulgou quem seriam os alvos. Na semana passada, Rubio disse que havia uma grande chance de o governo dos Estados Unidos sancionarem o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Vieira foi perguntado pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP) sobre a ingerência dos americanos que cogitam impor sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Disse o ministro das Relações Exteriores:

“Queria relembrar as palavras que disse, em que fiz referência ao Barão do Rio Branco, dizendo que o Brasil não tem alianças, não tem parcerias incondicionais. O principal é o interesse nacional, que está sempre em primeiro lugar”, declarou Mauro Vieira.

Rubio afirmou ao Congresso americano, na semana passada, que há uma “grande chance” de o governo dos EUA sancionarem Moraes.

A declaração foi em resposta a Cory Mills, deputado norte-americano fiel a Donald Trump e próximo da família Bolsonaro. Rubio estava em audiência no Congresso americano.

O ministro Vueura também foi questionado sobre o tema pelo presidente da comissão, Filipe Barros (PL-PR). O ministro disse que a política de vistos é de cada Estado.

“O Estado toma a decisão de conceder ou não conceder. São inúmeros os casos conhecidos de brasileiros que pedem vistos e são negados. Os vistos oficiais têm que haver concordância para um encontro bilateral. Há casos e casos”.

“Os vistos de participação em reuniões multilaterais, como as Nações Unidas e a OEA, os acordos de sede obrigam o país a conceder, portanto, não acontecerá. Agora, a questão de conceder visto é única e exclusivamente da alçada do país que emite o visto”, afirmou Vieira.

Depois de anunciar as restrições de vistos contra autoridades estrangeiras “cúmplices de censura a americanos”, o secretário Marco Rubio não relcionou nomes – mas citou a América Latina como um dos alvos da medida.

Segundo o Departamento de Estado americano, entre os alvos da medida estão autoridades que emitam ou ameacem emitir mandados de prisão contra cidadãos americanos ou residentes nos EUA por publicação em redes sociais americanas. Facebook, Instagram, Whatsapp (pertencentes à Meta) e X, de propriedade de Elon Musk, aliado do presidente Donald Trump, todas companhias americanas.