O criminalista José Luís de Oliveira Lima coordena as tratativas de delação premiada. (Foto: Reprodução)


Preso desde 19 de março na Superintendência da Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, intensificou nos últimos dias, por intermédio de seus advogados, as negociações para fechar o acordo de delação premiada.
A expectativa é que o documento com as propostas seja concluído até o fim da semana e encaminhado, em seguida, à Procuradoria-Geral da República. Caberá ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, avaliar e homologar a proposta.

Rotina na prisão

Vorcaro mantém encontros diários com sua equipe de defesa, das 9h às 17h, mesmo após ter enfrentado problemas de saúde.
Apenas em duas ocasiões as reuniões foram suspensas: durante uma dedetização nas dependências da PF e no período de feriado.
O banqueiro foi submetido a exames médicos na semana passada, mas não interrompeu o ritmo das conversas com seus advogados, segundo informa sua defesa.

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Advogados à frente

A negociação é conduzida pelo criminalista José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, que conta com o auxílio de um dos filhos, também advogado.

Sérgio Leonardo, amigo próximo de Vorcaro, participa da organização logística das visitas e acompanha as tratativas.

Conteúdo da colaboração

Na delação, Vorcaro deve relatar a participação de políticos, empresários e operadores do mercado financeiro em esquemas de fraude.
Além das revelações, compromete-se a devolver valores expressivos, fruto das operações investigadas.

A defesa de Vorcaro tenta agilizar a proposta antes dos advogados do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que está preso na Papuda e negocia um acordo no âmbito da Operação Compliance Zero.

A troca de advogados por especialistas em colaborações premiadas e o pedido de transferência para a sede da Polícia Federal em Brasília indicam que ele pretende revelar detalhes sobre o suposto esquema de corrupção envolvendo o Banco Master e autoridades do Distrito Federal.

Paulo Henrique Costa foi preso em 16 de abril, acusado de facilitar operações fraudulentas entre o BRB e o Banco Master.

A principal acusação é o recebimento de R$ 146,5 milhões em imóveis de luxo como propina para favorecer negócios fraudulentos ligados ao Master.

Estratégia de defesa e delação

O advogado Cleber Lopes foi substituído por Eugênio Aragão (ex-ministro da Justiça e especialista em delações) e Davi Tangerino (criminalista com experiência em leniência e delações de executivos da Americanas).

A defesa solicitou ao STF que Costa seja levado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, alegando que a Papuda não oferece condições seguras para negociar a colaboração.