Daniel Vorcaro contava tudo para a namorada Martha Graeff pelo aplicativo de mensagens. (Reprodução)


Registros de comunicações privadas extraídos do aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro detalham uma série de encontros de alto nível com figuras centrais da República, incluindo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Os dados, aos quais o portal Metrópoles teve acesso, revelam diálogos mantidos por Vorcaro através de sua conta de WhatsApp. As mensagens, enviadas à sua então namorada, Martha Graeff, foram obtidas pela Polícia Federal (PF) e agora compõem o corpo de evidências da terceira fase da Operação Compliance Zero.

Registros de Madrugada e Jantares Oficiais

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As mensagens indicam que a relação entre o banqueiro e o presidente da Câmara era frequente e ocorria fora dos horários institucionais. De acordo com os registros do dispositivo, em 8 de maio de 2025, Vorcaro afirmou que Motta permaneceu em reunião com ele até quase 3 horas da manhã. No texto enviado por WhatsApp, o banqueiro destacou o interesse do parlamentar: “Queria saber de tudo no detalhe”.

O histórico do celular também aponta que, em 26 de fevereiro, Vorcaro relatou estar participando de um jantar na “residência oficial” ao lado de Motta e de outros seis empresários, reforçando o livre trânsito do investigado nos bastidores da capital federal.

Encontros com o Judiciário

O material obtido pela investigação também documenta um encontro ocorrido em 20 de março de 2025. Ao ser questionado por Graeff se estava acompanhado ou se a estava ignorando, Vorcaro justificou a demora citando a presença de autoridades do STF e do Congresso:

“Estou sim. Acabou chegando Hugo e Ciro aqui para falarem com Alexandre. Não deve demorar”, escreveu o banqueiro, em referência a Motta, Nogueira e ao ministro Alexandre de Moraes.

Contexto Investigativo

A extração das mensagens do celular de Vorcaro foi um elemento central para a decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a prisão do banqueiro. No despacho, Mendonça apontou que os diálogos contêm indícios de um esquema criminoso com potencial envolvimento de “integrantes da alta cúpula de órgãos governamentais”.

Até o momento:

  • Hugo Motta foi procurado e preferiu não comentar o teor das reuniões registradas no celular.
  • A defesa de Daniel Vorcaro não emitiu pronunciamento sobre o acesso do portal Metrópoles aos dados ou sobre o conteúdo das mensagens.
  • O STF não se manifestou sobre as citações ao ministro Moraes contidas nas conversas privadas do investigado.

A Polícia Federal continua a analisar o conteúdo do aparelho para verificar se a proximidade relatada nas mensagens resultou em práticas ilícitas ou tráfico de influência junto à administração pública.