O presidente Lula participou de cerimônia de anúncios dos projetos habilitados do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) e dos anúncios de seleção do Novo PAC 2025, nas modalidades de abastecimento de água urbano e rural e de esgotamento sanitário urbano. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta quarta-feira (10) a “crise do convencimento” que, segundo ele, tomou conta da sociedade. Para Lula, “a distração provocada pelos celulares em atos públicos simboliza uma perda coletiva da capacidade de escutar e dialogar”.

A fala, carregada de preocupação com o ambiente político e social do país, foi acompanhada de uma defesa enfática dos resultados econômicos alcançados em seu terceiro mandato: menor inflação acumulada em quatro anos, crescimento da massa salarial, aumento real do salário mínimo e reajuste da tabela do Imposto de Renda.

O presidente garantiu que a gestão dos recursos públicos seguirá critérios técnicos e não partidários: “O dinheiro, quem vai ganhar é o melhor projeto”, afirmou, reforçando que não haverá discriminação por filiação política. A declaração buscou marcar contraste com práticas clientelistas do passado e reafirmar a ideia de que o Estado deve servir às necessidades da população, independentemente de alinhamentos ideológicos.

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Novo PAC

O discurso ocorreu no Palácio do Planalto, durante o encerramento do ciclo de anúncios do Novo PAC, que prevê R$ 1,7 trilhão em investimentos. Lula classificou o programa como “a maior onda de obras estruturantes da história” e destacou que o país vive um momento de “retomada da civilidade política”. Ao comparar com “a paralisia herdada do governo anterior”, o presidente disse estar “surpreso com a quantidade de entregas” realizadas até agora.

Lula enfatizou que a escolha das obras não levou em conta filiações partidárias, mas sim a urgência das demandas sociais. “A mim não interessa saber. O que interessa saber é se tem um problema e se a gente pode encaminhar a solução”, declarou. A crítica à ausência histórica de planejamento foi acompanhada de acusações de que a gestão de Jair Bolsonaro deixou obras paralisadas e “ministérios disfuncionais”.

Projetos emblemáticos

Entre os projetos destacados, o presidente citou a transposição do Rio São Francisco, iniciada ainda no século XIX como sonho de D. Pedro II. Para Lula, trata-se da “obra hídrica mais importante que está sendo feita no mundo”, que só será concluída quando a água chegar a Fortaleza, resolvendo um problema secular. Ele também vinculou o PAC a políticas de inclusão, como moradia e saneamento básico, que classificou como “investimento em saúde”.

Outro ponto foi o programa Mais Especialistas, voltado a reduzir filas no SUS. Lula questionou: “Qual é o preço de salvar uma vida? Qual é o preço de dar às pessoas pobres o direito de ter o mesmo tratamento que tem o presidente da República?”

Conclusão

Lula afirmou estar “muito tranquilo” com os rumos do país e prometeu entregar “um Brasil civilizado à sociedade brasileira”. A fala reuniu crítica social, balanço econômico e promessa de futuro, compondo um retrato de governo que busca se afirmar como técnico, inclusivo e comprometido com a reconstrução da política nacional.