Transnordestina começa testes de transporte de cargas entre Piauí e Ceará (Foto: Yasmin Fonseca/MIDR)


Após quase sete décadas de obras e sucessivos adiamentos, a Ferrovia Transnordestina, iniciada em 1959, entra nesta semana em fase de testes operacionais em um trecho de 585 quilômetros entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu (CE).

O projeto, que já consumiu cerca de R$ 8 bilhões em investimentos públicos e privados, pretende transformar a logística do Nordeste ao conectar polos agrícolas e minerais ao Porto de Pecém (CE), abrindo caminho para exportações em larga escala.

A primeira locomotiva deve partir nesta quinta-feira (18/12), com 20 vagões carregados de milho. Os testes incluem carga, descarga e operação em marcha. A autorização para transporte de mercadorias foi concedida pelo IBAMA na semana passada, com a emissão da Licença de Operação.

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A ferrovia, considerada uma das obras estruturantes mais ambiciosas do país, começou a ser construída em 1959 e, desde então, acumulou atrasos e mudanças de escopo. São 67 anos de espera até a previsão de conclusão em 2026.

Custos e financiamento

O empreendimento já custou R$ 8 bilhões, dos quais R$ 4,4 bilhões foram aportados pelo governo federal, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Os recursos vêm do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor).

Além disso, novos aportes foram anunciados em 2024 e 2025, incluindo R$ 1,4 bilhão adicionais para acelerar a conclusão.

Finalidade estratégica

Mapa mostra trechos contratados, em execução e concluídos até o Porto do Pecém (Fonte: TLSA)

Projetada para o transporte de cargas de alto desempenho, a Transnordestina terá papel central na movimentação de grãos, algodão, minérios, gesso/gipsita e contêineres. A ligação com o Porto de Pecém dará escala internacional às exportações, ampliando a competitividade da produção nordestina.

Segundo o secretário nacional Eduardo Tavares, “a partir do momento que essa ferrovia chegar ao Porto de Pecém, ela ganha uma nova escala, uma nova possibilidade, inclusive mais oportunidades para viabilizar outras expansões”.

Estrutura logística

Para garantir eficiência, estão previstos seis a oito terminais logísticos em pontos estratégicos como Eliseu Martins (PI), Salgueiro (PE) e Missão Velha (CE). O terminal privado TUP NELOG, do Grupo CSN, conectará diretamente a ferrovia ao Porto de Pecém, com investimento inicial de R$ 900 milhões.

No Piauí, o terminal de Bela Vista deve receber R$ 50 milhões. Outros terminais, como os de Iguatu, Quixeramobim e Quixadá, serão operados em modelo de condomínio por empresas privadas.

Impacto regional

Com 100% das obras mobilizadas no Ceará, o projeto já gera 6,5 mil empregos diretos. A expectativa é que a ferrovia se torne um vetor de desenvolvimento econômico, integrando os estados do Piauí, Ceará e Pernambuco e reduzindo custos logísticos para produtores e exportadores.