Nem os feirões de liquidação de dívidas tem conseguido resolver o problema. (Foto: Serasa)


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa nesta segunda-feira (27), em São Paulo, de reunião com presidentes de bancos públicos e privados para alinhar os últimos pontos do programa de renegociação de dívidas que o governo pretende lançar no Dia do Trabalho. A expectativa é que o encontro defina o modelo final da iniciativa, voltada a enfrentar o elevado endividamento das famílias brasileiras.

Segundo auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estarão presentes os CEOs das maiores instituições financeiras de varejo do país, com atuação no mercado de crédito pessoal, além do presidente da Febraban, Isaac Sidney.

Entre os pontos em discussão está o prazo de atraso das dívidas que poderão ser refinanciadas com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO). A Fazenda defende a inclusão de débitos com atraso superior a 61 dias e de até 360 dias. Já os bancos propõem a repactuação de dívidas com inadimplência entre 91 dias e três anos, faixa que exige maior volume de provisões nos balanços.

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Fontes próximas às negociações indicam que o prazo deve ficar em um meio-termo, entre 91 dias e dois anos.
Apesar das dificuldades operacionais, o governo mantém a intenção de permitir o uso do FGTS para abatimento de dívidas. Quatro integrantes da administração, incluindo dois ministros e um executivo de banco público, confirmaram que os estudos estão em andamento. A medida, contudo, deve exigir alteração legal no Congresso, onde enfrenta resistência do setor da construção civil.

Durigan já havia antecipado que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) poderão sacar até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas.

Saiba quais são os números do endividamento da população

  • Indicador
  • Valor
  • Brasileiros inadimplentes
  • 81,7 milhões
  • Volume de dívidas
  • 332 milhões de contratos
  • Dívida média por consumidor
  • R$ 6,6 mil
  • Famílias endividadas
  • 80,4%
  • Famílias muito endividadas
  • 15%
  • Dívidas >90 dias (risco de calote)
  • 18,9 milhões de pessoas