No anúncio inicial do Conselho da Paz, lançado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o quadro diplomático se dividiu em três frentes. Dos cerca de 60 países convidados, 23 já confirmaram adesão, seis rejeitaram o convite e outros oito ainda não decidiram.
Estrutura e controvérsias
O novo órgão foi apresentado como alternativa para atuar na reconstrução da Faixa de Gaza e em futuros conflitos internacionais. O estatuto, obtido pela agência Reuters, prevê mandato vitalício para Trump como presidente e a cobrança de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) para países que desejarem assento permanente. Os recursos seriam administrados diretamente pelo líder americano.
Diplomatas alertam que a iniciativa pode enfraquecer a ONU, já que cria uma estrutura paralela de manutenção da paz.
Quem aderiu e quem recusou
Entre os países que aceitaram estão Argentina, Israel, Arábia Saudita e Egito, além de nações da Ásia Central e do Oriente Médio. Já França, Alemanha, Espanha, Noruega, Suécia e Eslovênia rejeitaram a proposta.
O Canadá foi o único a ter o convite cancelado por Trump, após desentendimento com o primeiro-ministro Mark Carney no Fórum Econômico Mundial.
Brasil e outros indecisos
O Brasil, assim como Reino Unido, China, Rússia, Itália, Croácia, Singapura e Ucrânia, ainda avalia a proposta. Segundo apuração, o governo brasileiro deve solicitar esclarecimentos técnicos sobre o estatuto antes de se posicionar.
Na sexta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a iniciativa, afirmando que o mundo vive um momento “muito crítico” e acusando Trump de tentar criar uma “nova ONU”. Lula pretende usar o debate em torno do Conselho da Paz como argumento para defender uma reforma imediata do Conselho de Segurança da ONU durante a Assembleia Geral marcada para setembro.
Impacto no sistema multilateral
Para diplomatas, o plano de Trump é um sinal da fragilidade do atual sistema multilateral. A avaliação é que o Conselho de Segurança da ONU perdeu capacidade de resposta em crises como a de Gaza, abrindo espaço para iniciativas unilaterais.




