O Exército Brasileiro autorizou o banco Master, de Daniel Vorcaro, a atuar em empréstimos consignados para militares da ativa e da reserva. Entre agosto de 2024 e outubro de 2025, a instituição recebeu cerca de R$ 39 milhões, valor correspondente aos descontos feitos diretamente nos contracheques dos militares.
Os dados constam em um relatório de inteligência financeira (RIF) do Coaf, e encaminhado à CPI do Crime Organizado no Senado.
O documento aponta possíveis irregularidades na forma como os recursos foram movimentados pelo banco, incluindo repasses seguidos de débitos imediatos e concentração dos valores em uma única titularidade, o que dificultaria a identificação de beneficiários.
Contrato semelhante na Aeronáutica
O Coaf também registrou a existência de contrato similar entre a Força Aérea Brasileira e o Master, válido até 2029. A Aeronáutica confirmou que houve repasses em 2024 e 2025, mas não detalhou os valores. Após a liquidação extrajudicial do banco, em novembro de 2025, as transferências foram interrompidas.
Rescisão e posição do Exército
Com a liquidação do Master, o Exército encerrou o contrato em novembro de 2025. Em nota, a Força afirmou que não houve prejuízo aos cofres públicos, já que os valores se referem a rendimentos particulares dos militares usados para quitar dívidas privadas. O Comando do Exército destacou que atuou apenas como intermediário, realizando os descontos autorizados e repassando os montantes ao banco credenciado.
O credenciamento do Master ocorreu em fevereiro de 2023, após participação em edital público. O contrato foi prorrogado duas vezes, permitindo a continuidade das operações até 2027, mas acabou rescindido com a liquidação da instituição.
Valores confirmados
Dados do Portal da Transparência confirmam os números citados pelo Coaf: R$ 36,1 milhões em 2023, R$ 37,6 milhões em 2024 e R$ 23,4 milhões em 2025. Apesar de outras instituições também estarem habilitadas para consignados, militares ouvidos pela reportagem consideraram significativa a escolha pelo Master, em detrimento de bancos mais tradicionais.
A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem.





