A Secretaria de Esportes de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas, não consegue explicar o paradeiro de R$ 23 milhões em materiais adquiridos pela pasta. O caso veio à tona após fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que apontou falhas graves no controle de estoque e exigiu a realização de um inventário, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.
O levantamento revelou notas de empenho que somavam R$ 51,5 milhões em compras, mas apenas R$ 16,7 milhões em itens estavam armazenados. Posteriormente, a secretaria conseguiu justificar o destino de R$ 11,5 milhões — parte dos materiais havia sido doada a escolas, entidades e municípios. O restante, equivalente a R$ 23 milhões, continua sem explicação.
Em resposta, a pasta afirmou ter determinado “medidas aprimoradas de controle, rastreamento e gestão patrimonial” e disse colaborar integralmente com os órgãos de fiscalização. Um relatório preliminar está em elaboração para subsidiar a abertura de sindicância interna. “A secretaria não compactua com desvios de conduta e todas as providências cabíveis estão sendo tomadas”, declarou em nota.
Especialistas em direito administrativo consideram que a apuração deveria ter sido instaurada imediatamente. “Imagine uma empresa privada com uma diferença de estoque de milhões. Metade da equipe seria afastada no dia seguinte”, disse Vitor Schirato, professor da USP. Para ele, a sindicância é essencial não apenas para responsabilizar servidores, mas para esclarecer os fatos.
O problema foi identificado no início de 2025, quando o TCE detectou divergências entre os registros contábeis da secretaria e o sistema oficial de controle financeiro. A fiscalização também apontou ausência de mecanismos básicos de inventário físico, em desacordo com a legislação. Em junho, a comissão criada para revisar o almoxarifado registrou discrepância de R$ 34,7 milhões e relatou “falta de zelo” no armazenamento, com caixas abertas e empilhadas sem organização.
Apesar de ordens internas para adoção de um plano de ação, parte das medidas não foi cumprida. Em dezembro, novos documentos permitiram localizar materiais equivalentes a R$ 11,5 milhões, mas o saldo restante segue sem justificativa. A secretaria afirma que continua a apuração e que os materiais doados foram distribuídos mediante solicitação formal, vinculada ao calendário esportivo da pasta.
No início de 2026, dois dirigentes ligados à gestão do estoque foram exonerados. Pessoas próximas à secretaria afirmam que a pressão por abertura de investigações internas gerou desconforto e contribuiu para as saídas.





