O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, braço do Ministério Público que combate o crime organizado. (Foto: Reprodução)


Indícios de que policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) receberam propina do PCC (Primeiro Comando da Capital) motivaram a troca no comando-geral da Polícia Militar de São Paulo. A informação, publicada originalmente pelo jornal O Estado de S. Paulo, baseia-se em depoimento sigiloso do promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (braço do Ministério Público que combate o crime organizado).

Segundo o relato feito à Corregedoria da PM em março, agentes da tropa de elite teriam recebido R$ 5 milhões para vazar informações privilegiadas. O objetivo da facção era localizar Emivaldo dos Santos, conhecido como BH, um ex-integrante da cúpula do PCC que se tornou delator e está sob proteção judicial.

CRISE POLÍTICA

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As revelações resultaram na substituição do coronel Cássio Araújo de Freitas (então comandante-geral) e do coronel José Augusto Coutinho (que chefiava o Policiamento de Choque). A decisão foi oficializada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Coutinho é ligado politicamente ao ex-secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, que deixou o cargo para retomar o mandato de deputado federal.

A gestão estadual nega motivação política ou técnica ligada ao caso, afirmando que as trocas são rotineiras e que o coronel Coutinho solicitou o afastamento por razões pessoais. A defesa do oficial declarou que ele não teve ciência de qualquer envolvimento de subordinados com o crime organizado.

MONITORAMENTO

O depoimento de Gakiya detalha que o monitoramento do PCC não se restringia ao promotor e ao senador Sergio Moro (União Brasil-PR). A facção teria vigiado também a residência do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). As investigações apontam que:

  • Venda de áudio: Policiais da Rota teriam gravado um depoimento de quatro horas de BH e vendido o arquivo à facção por R$ 300 mil.
  • Logística: O material teria beneficiado lideranças como Tuta e Cebola, principais nomes do PCC em liberdade na época.
  • Elo com Derrite: Um dos investigados é o sargento José Roberto Barbosa de Souza, o Barbosinha, que atuou como motorista de Derrite e já foi elogiado publicamente pelo ex-secretário.
    O caso reforça a tese de um “núcleo de vazamento” dentro da Rota, unidade historicamente associada ao combate rigoroso à facção, mas que agora enfrenta suspeitas de cooptação financeira pela cúpula do crime.