A administração Trump compilou uma classificação escalonada dos membros da Otan, distinguindo entre aliados “bons e maus” com base em suas contribuições e, crucialmente, na disposição de apoiar operações militares americanas no Oriente Médio.
De acordo com uma reportagem do site Politico, o projeto foi finalizado por autoridades antes da visita do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, a Washington este mês. O documento interno organiza os países em níveis de cooperação, servindo como um roteiro para possíveis repercussões diplomáticas e militares.
‘Tratamento especial’ para leais
A medida segue sinais dados pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que sugeriu, no final do ano passado, que as nações que fornecessem assistência direta aos objetivos americanos receberiam um “tratamento especial”. A postura da administração parece ser um endurecimento da doutrina “América Primeiro”, transitando de queixas genéricas sobre gastos com defesa para exigências específicas de alinhamento em tempos de guerra.
“Aliados que ainda não fizerem sua parte pela defesa coletiva enfrentarão consequências”, observou uma fonte familiarizada com o documento. No entanto, a natureza exata dessas recompensas ou penalidades permanece envolta em ambiguidade.
Incerteza estratégica
A proposta gerou preocupação e confusão entre diplomatas europeus. Embora a Casa Branca tenha sido enfática em suas frustrações, a aplicação prática de “punir” aliados permanece incerta.
Sigilo diplomático
Autoridades forneceram pouca clareza sobre o que seriam os “favores” ou as “consequências” específicas.
Obstáculos logísticos:Um funcionário europeu, falando sob condição de anonimato, questionou a lógica de retirar forças americanas como punição. “Mover tropas é uma opção, mas isso não pune principalmente os EUA?”, questionou.
Uma ‘via de mão única’
A porta-voz da Casa Branca Anna Kelly enfatizou a irritação do presidente com o estado atual da aliança, citando especificamente a falta de apoio durante operações recentes contra embarcações iranianas no Estreito de Ormuz.
“Embora os Estados Unidos sempre tenham estado presentes para nossos chamados aliados, os países que protegemos com milhares de soldados não estiveram presentes para nós durante a operação”, disse Kelly. Ela acrescentou que o presidente Trump vê a dinâmica atual como “injusta”, reforçando sua crença de longa data de que a proteção americana não deve mais ser uma via de mão única.





