Encontro de juízes eleitorais, que atuarão em sintonia com os promotores para combater o crime organizado. (Foto: TSE)


O Ministério Público Eleitoral (MPE) anunciou uma ofensiva estratégica para as eleições de outubro. O órgão irá ampliar e integrar suas bases de dados com o objetivo de “asfixiar o fluxo financeiro” de facções criminosas e milícias que tentam infiltrar representantes no Legislativo e no Executivo. A medida mira o rastreamento de doações de campanha e a identificação de “laranjas” utilizados pelo crime organizado para “lavar dinheiro por meio do processo eleitoral”.

Cruzamento de dados em tempo real

A nova estrutura de inteligência permitirá que promotores eleitorais acessem, de forma integrada, informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), da Receita Federal e dos setores de inteligência das polícias Civil e Federal. O foco principal é detectar “padrões de movimentação atípica” que sugiram o aporte de recursos ilícitos em contas de campanha.
De acordo com interlocutores do MP, a prioridade será o monitoramento de áreas sob “forte influência territorial do crime”. O objetivo é impedir que o “abuso do poder econômico e a coação de eleitores” consolidem o que especialistas chamam de “bancada do crime”.

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Rigor na cassação

Além de identificar as irregularidades, o plano estabelece um “protocolo de resposta rápida”. Caso o cruzamento de dados aponte “indícios robustos de financiamento por facções”, o MP ingressará imediatamente com pedidos de impugnação de registro de candidatura ou, em casos pós-pleito, com Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) para cassação de mandatos e declaração de inelegibilidade.
O objetivo é impedir que o poder econômico derivado da criminalidade sequestre a soberania do voto. Para os promotores envolvidos no trabalho, a democracia exige que as contas sejam transparentes e as candidaturas, legítimas.