O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), buscou desvincular a imagem do tribunal das suspeitas envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.
Em entrevista à TV Globo, o magistrado afirmou que o episódio revela falhas na regulação do sistema financeiro, e não uma crise política no Judiciário.
“Se fosse buscar um endereço do caso Master, veria ele na Faria Lima”, declarou Gilmar, referindo-se ao coração financeiro de São Paulo e rebatendo o que chamou de tentativa da imprensa de deslocar o foco para a Praça dos Três Poderes.
A fala ocorre em um momento de pressão sobre a Corte. Pesquisa Genial/Quaest aponta que 53% dos brasileiros não confiam no STF. O tribunal está sob os holofotes após revelações sobre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, ter firmado contrato de R$ 129 milhões com o banco, e sobre o investimento de R$ 35 milhões de Vorcaro em um resort do qual Dias Toffoli é sócio.
Defesa de pares
Gilmar minimizou os elos, pontuando que cada magistrado fará o “devido encaminhamento” sobre suas relações pessoais. Lembrou ainda que Moraes não integra a turma que julga o caso e que Toffoli já se declarou impedido de atuar no processo.
Sobre a ação que pode restringir delações premiadas —pautada por Moraes em meio a rumores de que Vorcaro buscaria uma colaboração premiada—, o decano classificou a suspeita de favorecimento como “ilação indevida”. Segundo ele, o STF já debatia o tema há anos para evitar “manipulações” como as que teriam ocorrido na Operação Lava Jato.
‘Inquérito necessário’
O decano também foi enfático ao defender a manutenção do inquérito das fake news, aberto em 2019. Questionado sobre a longevidade da investigação, alvo de críticas da OAB por sua “longa duração”, Gilmar afirmou que a apuração seguirá enquanto o tribunal continuar sendo alvo de ataques.
“Ele vai acabar quando terminar”, disse. Recentemente, Gilmar reagiu a críticas políticas, pedindo à PGR a investigação do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) por abuso de autoridade e solicitando a inclusão do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news após a publicação de um vídeo satírico contra o magistrado.





