A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) protocolou nesta sexta-feira (1º) uma notícia-crime no Ministério Público Federal pedindo investigação sobre os eventos promovidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, revelados após o escândalo financeiro do Master. O pedido concentra-se em possíveis indícios de exploração sexual e tráfico internacional de mulheres.
A assessoria de Vorcaro foi acionada, mas não se manifestou.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Vorcaro organizava festas com presença de modelos estrangeiras vindas de países como Rússia, Ucrânia, Lituânia, Holanda, México e Venezuela. Documentos apreendidos pela Polícia Federal no âmbito das apurações do caso Master registram orçamentos de passagens aéreas e outros deslocamentos para participantes.
Um exemplo citado é a festa de Halloween de 2023, que envolveu logística internacional para trazer modelos e DJs renomados. Há registros de transfers em Verona (Itália), Barcelona (Espanha) e Santa Bárbara (EUA). Também consta uma passagem de ônibus de Kiev para Varsóvia, sugerindo que uma participante atravessou a zona de guerra na Ucrânia para chegar ao evento.
Outro episódio mencionado é o aniversário de Vorcaro em outubro de 2022, realizado em uma mansão em Trancoso (BA), para o qual também foram trazidas mulheres estrangeiras. Esses encontros ficaram conhecidos como “Cine Trancoso”, em razão de relatos de que o anfitrião mantinha sistema próprio de câmeras para registrar as festas.
Em janeiro, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União já havia recomendado abertura de processo para identificar autoridades federais que teriam participado dos eventos.
Indícios de recrutamento e instrumentalização
A denúncia apresentada por Tabata Amaral aponta elementos de recrutamento e transporte de mulheres de diferentes países, com logística custeada pelo anfitrião. Segundo o documento, a escolha por estrangeiras teria como objetivo dificultar a identificação de autoridades e evitar vazamentos.
“É necessária uma investigação rigorosa, com olhar especializado em violência de gênero”, afirmou a deputada.
A representação cita reportagem da revista digital Liberta, que relatou a presença de autoridades dos Três Poderes, incluindo integrantes do Executivo do governo anterior, além de figuras do mercado financeiro, da política e do meio jurídico.
Na manifestação, Tabata enfatiza que os eventos não se limitavam a encontros privados, mas apresentavam características de organização estruturada e recorrente, com indícios de instrumentalização de mulheres como meio de favorecimento e influência junto a autoridades públicas.




