Lula e Trump em encontro ano passado. (Foto: Reprodução)


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja nesta quarta-feira (6) para Washington, onde terá reunião oficial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para quinta-feira (7).

A agenda, negociada desde janeiro, deve priorizar temas econômicos e de segurança. O governo brasileiro busca reverter tarifas impostas a produtos nacionais e ampliar cooperação em áreas estratégicas, como minerais críticos e terras raras. A situação política na Venezuela também deve ser discutida.

O encontro ocorre em meio a um cenário delicado para Lula no plano interno. Na semana passada, o Congresso rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF e derrubou o veto presidencial ao projeto da dosimetria, impondo derrotas ao governo. A viagem é vista como oportunidade para reforçar a imagem de Lula no campo internacional.

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Impasse diplomático recente

A reunião acontece pouco depois de atritos entre Brasília e Washington, provocados pela prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos EUA. O episódio levou à retirada de credenciais de policiais de ambos os países, em gesto de reciprocidade.
Ramagem, condenado pelo STF por participação em tentativa golpista, havia fugido para os Estados Unidos em setembro do ano passado e pediu asilo político. Detido em abril pelo ICE, foi solto dois dias depois e aguarda decisão sobre o pedido.

Negociações e obstáculos

O encontro entre Lula e Trump estava inicialmente previsto para março, mas foi adiado devido à escalada da guerra no Oriente Médio. Nesse período, Lula criticou a postura americana em relação ao Irã, mas também manifestou solidariedade a Trump após atentado sofrido pelo presidente norte-americano em Washington.

A aproximação ganhou força em 26 de janeiro, quando os dois líderes conversaram por telefone durante cerca de 50 minutos. Lula classificou a conversa como necessária para resolver divergências “olho no olho”.

Entre os pontos de pauta estão:

Economia: tentativa de reduzir barreiras comerciais impostas por Washington.
Segurança: cooperação contra crime organizado e lavagem de dinheiro, sem incluir facções brasileiras em listas de terrorismo.
Geopolítica: debate sobre Venezuela e impactos da crise no Oriente Médio.

Com a viagem, o governo brasileiro busca sinalizar disposição para superar impasses e fortalecer a relação bilateral em áreas estratégicas.