Agentes da Polícia Federal desmontaram a milícia do banqueiro Vorcaro. (Foto: PF)


A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (14), uma ofensiva fulminante contra a estrutura de terror e espionagem montada para proteger os interesses de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A 6ª fase da Operação Compliance Zero resultou na prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, apontado como o financista do esquema que utilizava métodos brutais para intimidar adversários e violar sigilos institucionais.

O “Exército Particular” de Vorcaro

As investigações desmascararam a existência de dois núcleos operacionais — batizados de “A Turma” e “Os Meninos” — que funcionavam como um verdadeiro braço armado e tecnológico da organização criminosa. Sob o comando operacional de Luiz Phillipi Mourão, descrito como o “sicário” de Vorcaro, esses grupos realizavam:

Continua depois da publicidade
  • Ações Violentas: Intimidação física e coerção contra pessoas que ameaçassem os negócios do grupo.
  • Espionagem Digital: Invasão de dispositivos informáticos e sistemas sigilosos das forças de segurança.
  • Vigilância Clandestina: Monitoramento de críticos do conglomerado financeiro e autoridades.

Polícia sob Suspeita e Ataques ao MPF

O tentáculo da organização alcançou o coração da própria Polícia Federal. Entre os alvos da operação, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão um agente da PF (preso), uma delegada da PF (busca e apreensão) e um agente aposentado. Segundo o inquérito, os policiais forneciam informações privilegiadas e consultas indevidas a sistemas restritos para o bando.
A audácia do grupo incluiu três ataques cibernéticos contra o Ministério Público Federal (MPF) entre 2024 e 2025. Henrique Vorcaro, além de pagar as contas do grupo, demandava diretamente consultas ilegais para saber se ele e o filho eram alvos de investigações oficiais.

Números da Ofensiva

Ao todo, a PF mobilizou agentes para cumprir 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O STF também ordenou o afastamento de cargos públicos e o sequestro de bens dos envolvidos.

Os investigados estão agora no centro de um arsenal de acusações graves:

  • Organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Corrupção ativa e passiva;
  • Invasão de dispositivos informáticos;
  • Ameaça e violação de sigilo funcional.

A investigação aponta que o objetivo final da rede de intimidação era duplo: garantir o fluxo de lucros do esquema ligado ao Banco Master e erguer um muro de silêncio, dificultando qualquer avanço das autoridades sobre as fraudes financeiras do grupo.