O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a transferência do ex-banqueiro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal (PF), suspendendo o regime especial de detenção do qual ele desfrutava. A partir de agora, o investigado estará submetido estritamente às regras internas da corporação, o que limitará, entre outros pontos, a rotina de visitas de seus advogados.
A decisão judicial atende a um pedido formal da própria Polícia Federal, após a conclusão dos trabalhos de elaboração da proposta de acordo de delação premiada. Segundo fontes ligadas à investigação, a mudança nas condições da prisão decorre do fim dessa etapa técnica e não possui relação com o teor dos depoimentos do custodiado.
Até então, Vorcaro permanecia detido em uma sala de Estado-Maior, espaço com prerrogativas especiais que chegou a abrigar o ex-presidente Jair Bolsonaro até janeiro deste ano. O banqueiro havia sido levado para essas dependências em 19 de março, vindo da Penitenciária Federal de Brasília, um movimento que coincidiu com a manifestação oficial de sua defesa sobre o interesse em colaborar com a Justiça.
Mudança na estratégia jurídica
O processo contra Vorcaro, apontado como suspeito de fraudes financeiras de dimensões bilionárias, ganhou novos contornos no início de março. O financeiro foi preso no dia 4 daquele mês durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Após uma breve passagem pelo Complexo Penitenciário de Potim, no interior de São Paulo, as autoridades determinaram sua transferência imediata para a capital federal.
A guinada na condução do caso consolidou-se logo após o plenário do STF formar maioria para manter a prisão preventiva do empresário.
Diante do cenário, Vorcaro destituiu o advogado Pierpaolo Bottini e repassou sua defesa ao penalista José Luís Oliveira Lima. Conhecido nos bastidores do Judiciário por coordenar delações de grandes empreiteiros na antiga Operação Lava Jato, o novo defensor assumiu a interlocução direta com a PF e com o ministro Mendonça, relator do caso no tribunal de cúpula.
Os investigadores avaliam que uma eventual homologação dos termos da colaboração de Vorcaro poderá injetar novas provas e elementos cruciais para esclarecer a extensão das irregularidades financeiras sob apuração.





