O Citi confirmou a existência do erro, mas alega nao ter tido prejuízo. (Foto Divulgação)


O Citigroup depositou na conta de um cliente brasileiro US$ 81 trilhões quando pretendia enviar apenas US$ 280, informa o jornal “Financial Times”, jornal inglês. Segundo o jornal, trata-se de “um erro que pode atrapalhar a tentativa do banco de persuadir os reguladores de que ele corrigiu problemas operacionais de longa data”.

A transferência interna errônea, que ocorreu em abril do ano passado e não foi relatada anteriormente, não foi notificada por um funcionário responsável por pagamentos e nem por um segundo designado para verificar a transação antes que ela fosse aprovada para ser processada no início do expediente no dia seguinte”.

Somente um terceiro funcionário detectou o problema com os saldos das contas do banco, localizando o depósito 90 minutos após ter sido feito. O depósito foi revertido várias horas depois, segundo relato interno do banco que o “Financial Times” teve acesso.

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O Citi notificou a ocorrência ao Federal Reserve e ao Office of the Comptroller of the Currency, de acordo com outra pessoa com conhecimento do assunto.

O banco disse que seus “controles de investigação identificaram prontamente o erro do depósito entre duas contas contábeis do Citi e a revertemos” e que esses mecanismos “também teriam impedido que quaisquer fundos saíssem do banco”.

Ele acrescentou: “Embora não tenha havido impacto para o banco ou nosso cliente, o episódio ressalta nossos esforços contínuos para continuar eliminando processos manuais e automatizando controles”.

Um total de 10 “quase acidentes” — incidentes em que um banco processa o valor errado, mas finalmente consegue recuperar os fundos — de US$ 1 bilhão ou mais ocorreram no Citi no ano passado, de acordo com um relatório interno visto pelo FT. O número caiu um pouco em relação a casos anteriores. O Citi se recusou a comentar sobre esse conjunto mais amplo de eventos.

A série de “quase acidentes” no Citi destaca como o banco de Wall Street está lutando para reparar seus problemas operacionais quase cinco anos depois de ter enviado por engano US$ 900 milhões a credores envolvidos em uma batalha contenciosa sobre a dívida do grupo de cosméticos Revlon.

O pagamento equivocado do Citi à Revlon levou à demissão do então presidente-executivo Michael Corbat, a grandes multas e à imposição de ordens de consentimento regulatório exigindo que ele consertasse os problemas.

Jane Fraser, que assumiu como principal executiva do Citi de Corbat em 2021, descreveu a correção dos problemas regulatórios do Citi como sua “prioridade máxima”. Ainda assim, o grupo foi multado em US$ 136 milhões no ano passado pelo OCC e pelo Federal Reserve por não corrigir problemas no controle de risco e gerenciamento de dados.

O “quase acidente” de US$ 81 trilhões do Citi em abril foi devido a um erro de entrada e um sistema de backup com uma interface de usuário complicada, de acordo com pessoas familiarizadas com o incidente. Em meados de março, quatro transações totalizando US$ 280 destinadas à conta de custódia de um cliente no Brasil foram bloqueadas por uma tela que captura pagamentos que são potenciais violações de sanções.

O pagamento foi rapidamente compensado, mas mesmo assim permaneceu preso no sistema do banco e incapaz de ser concluído normalmente.

A equipe de tecnologia do Citi instruiu o funcionário de processamento de pagamentos a inserir manualmente as transações em uma tela de backup raramente usada. Uma peculiaridade do programa era que o campo de valor vinha pré-preenchido com 15 zeros, que a pessoa que inseria uma transação precisava excluir, algo que não acontecia.