Adam Jordan


Adam Jordan*

O estado de Mato Grosso, um dos principais polos da agropecuária brasileira, enfrenta um momento decisivo para sua inserção no mercado global: a adequação ambiental da pecuária de corte. Com vastas áreas de produção e rebanhos que colocam o Brasil entre os maiores exportadores de carne bovina, é essencial que os frigoríficos locais sigam normas de sustentabilidade e obtenham certificações que comprovem sua conformidade com as exigências internacionais.

O desafio não é apenas atender às regulamentações nacionais, mas também superar as barreiras impostas pelos mercados europeu e asiático, que exigem rigor ambiental na cadeia produtiva. Estima-se que, dos 60 frigoríficos ativos em Mato Grosso, ao menos 20 operam sem certificação adequada, expondo-se a riscos regulatórios e comerciais, já que a falta de rastreabilidade é severamente penalizada no comércio internacional.

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Para acessar mercados exigentes, frigoríficos precisam passar por auditorias ambientais e obter certificações reconhecidas. A adesão ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), monitorado pelo Ministério Público Federal (MPF), é um dos principais fatores que distinguem as empresas competitivas daquelas que enfrentam restrições de exportação. Empresas que negligenciam esse requisito apresentam índices de 52% de não conformidade, colocando em risco sua permanência no setor.

Nesse cenário, consultorias ambientais especializadas são fundamentais para orientar a reestruturação do setor. Organizações comprometidas com práticas sustentáveis realizam diagnósticos detalhados das cadeias produtivas, ajustando frigoríficos para atender a padrões como Selo Verde Brasil, Carne Carbono Neutro (CCN) e Global GAP. Essas certificações não são apenas um diferencial competitivo—elas representam um compromisso com a sustentabilidade e garantem um futuro sólido para a pecuária brasileira.

O custo da adequação, contudo, pode ser elevado. Para viabilizar as adaptações, muitos frigoríficos recorrem à Cédula de Ativo Ambiental B3, que transforma áreas de preservação em ativos valorizados no mercado de carbono. O sequestro de carbono vem se tornando um dos principais instrumentos financeiros do setor, com créditos negociados em plataformas como a B3, onde o preço por tonelada de CO₂ sequestrado varia entre US$ 10 e US$ 50. Estudos indicam que um hectare de reserva legal pode gerar entre 140 e 210 créditos de carbono, resultando em uma receita anual estimada de R$ 3.500 a R$ 5.250 por hectare.

O cenário exige ação imediata. Frigoríficos que se adequam garantem presença nos mercados internacionais, enquanto aqueles que ignoram a urgência da regularização ambiental veem suas oportunidades desaparecerem. O Brasil já se destaca como um dos maiores fornecedores mundiais de créditos de carbono, e a inclusão do setor agropecuário nesse processo não é apenas uma estratégia comercial—é um compromisso essencial para manter a competitividade da carne bovina nacional nas próximas décadas.

O futuro da pecuária mato-grossense depende não apenas da eficiência produtiva, mas da capacidade de demonstrar ao mundo que desenvolvimento e responsabilidade ambiental podem coexistir. Investir em certificações e auditorias ambientais deixou de ser uma escolha—é o único caminho para garantir que o Brasil continue liderando o mercado global de agropecuária sustentável.

*Adam Jordan é ensaísta e gestor em negócios ambientais sustentáveis – ESG. Autor de Pequeno Manual Prático de Economia Verde: Um Guia para Executivos e Empresas em Busca de Sustentabilidade Total (Amazon Books, 2023) e Manual da Virtude – Ética nos Negócios ESG (Amazon Books, 2025). Contato com o autor: mattaresgbrasilcarbono@aol.com