O personagem Labubu, criado pelo artista chinês de Hong Kong radicado na Holanda Kasing Lung, já é sensação entre jovens brasileiros — especialmente da Geração Z — e vem movimentando tanto o mercado oficial de colecionáveis quanto um comércio alternativo recheado de versões piratas irreverentes: os famosos Lafufus e os excêntricos Tribufus.
Do mundo dos contos à febre urbana
Labubu faz parte do universo “The Monsters”, criado por Lung, com traços inspirados na estética de contos de fadas nórdicos e na estranheza encantadora dos personagens de filmes do Tim Burton.
A marca chinesa Pop Mart transformou os bonecos em fenômeno global, apostando no formato blind box — uma caixa misteriosa cujo conteúdo só é revelado após a compra, criando uma espécie de loteria afetiva entre os fãs.
Preços oficiais: o valor da surpresa
- Boneco Labubu comum: R$ 300 a R$ 600
- Modelos raros como Duoduo: até R$ 1.000
- Edições ultrarraras em leilões internacionais: já ultrapassaram os R$ 42 mil
Esses valores contrastam com as versões piratas disponíveis em camelôs:
- Lafufu (pirata mais sofisticado): R$ 40 a R$ 250
- Tribufu (versões alternativas, deformadas ou com falhas): a partir de R$ 25 Camelôs
A reportagem percorreu ruas da capital paulista e encontrou os Lafufus em vitrines improvisadas, embalados em caixas coloridas que imitam o visual do original. Já os Tribufus são vendidos sem embalagem, com variações estéticas que vão de olhos vesgos a membros tortos.
“Esse aqui parece que foi atropelado por um carrinho de supermercado, mas é o que vende mais!”, brinca Renata Silva, vendedora da região central. “O pessoal não liga se é original. É para fazer conteúdo e rir.”
O sucesso dos monstrinhos é amplificado nas redes sociais por influenciadores como Gkay, Felipe Neto e Virginia Fonseca, que já exibiram bonecos e paródias dos piratas. Vídeos de unboxing com falas como “Veio o Tribufu sem olho, mas é lindo!” viralizam e fazem da pirataria uma espécie de arte urbana digital.
Riscos legais e sanitários
Para a advogada Danielle Ruas, a disseminação dos Lafufus e Tribufus não é inofensiva: “Além da violação de propriedade intelectual, há o risco de produtos não testados causarem alergias em crianças.” O jurista Bruno Lewer reforça: “A comercialização de piratas é crime. Não importa o quão fofinho pareça.”
O fenômeno, para especialistas, revela uma transformação no consumo de itens de luxo entre os jovens: o valor da experiência supera a autenticidade. “Os Tribufus são quase uma resistência estética. É como se as falhas fossem parte da graça”, analisa a pesquisadora de cultura pop Marina Teixeira.





