Itamaraty vai fazer a entrega da defesa nesta segunda-feira ao governo americano. (Foto: EBC)


O governo brasileiro envia nesta segunda-feira (18) um relatório oficial aos Estados Unidos em resposta à investigação comercial aberta pela gestão do presidente Donald Trump.

O documento, elaborado por uma força-tarefa coordenada pelo Itamaraty, aborda uma série de acusações feitas por Washington, entre elas o uso do sistema de pagamentos Pix — desenvolvido pelo Banco Central — apontado como possível prática desleal.

A investigação americana, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA, tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O dispositivo permite que o governo norte-americano apure práticas comerciais consideradas injustas e, se confirmadas, aplique sanções como tarifas adicionais ou restrições de importação.

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Além do Pix, estão sob análise temas como desmatamento ilegal, propriedade intelectual, comércio digital, tarifas preferenciais e o mercado de etanol. O relatório brasileiro defende o sistema de pagamentos instantâneos como ferramenta de inclusão financeira e estímulo à economia, sem prejuízo às empresas americanas de cartão de crédito.

A resposta também destaca avanços no combate ao desmatamento e promete reduzir o tempo de registro de patentes de medicamentos para dois anos até 2026 — atualmente, esse prazo pode chegar a sete anos nos Estados Unidos.

A tensão entre os dois países se intensificou após o anúncio de um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, como carne bovina e café.

O governo Lula classificou a medida como injustificável e reafirmou que “não vai desistir de negociar”.

A expectativa é que os dois países voltem a se reunir em audiência pública no início de dezembro. Até lá, o Brasil segue monitorando os desdobramentos da investigação, que pode durar pelo menos um ano.