A inteligência artificial (IA) já está provocando transformações profundas na economia, na cultura e na linguagem humana, diz a jornalista e pesquisadora Sandra Boccia, que atualmente atua na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, epicentro de debates científicos e tecnológicos de todo o mundo.
Foi de lá, utilizando a tecnologia criada pela Internet, que Sandra Boccia concedeu entrevista online nesta quarta-feira (5) ao programa BC TV, do portal Brasil Confidencial.
Sandra Boccia classificou a IA como “uma revolução comparável à Revolução Industrial e ao surgimento da Internet” — mas fez um alerta sobre os riscos de sua adoção e uso sem uma “supervisão crítica”.
A pesquisadora foi entrevistada pelos jornalistas Camila Srougi e Germano Oliveira, que comandam o BC TV.
Boccia afirmou que atualmente realiza pesquisas sobre Inteligência Artificial em Harvard. Ela lembrou que fez a transição do jornalismo tradicional para o universo da inovação tecnológica ao longo dos últimos anos.
Antes de se tornar pesquisadora, foi repórter de jornal e atuou também como diretora e editora-geral da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da Editora Globo.
Boccia recordou: “Dediquei os últimos 20 anos ao jornalismo de inovação. Hoje, meu foco é compreender essa nova fronteira tecnológica, que é a Inteligência Artificial.”
Uma transformação em curso
Ao longo da entrevista, Boccia destacou que a IA já está integrada ao cotidiano de empresas e indivíduos.
“Essas ferramentas são utilizadas tanto para tarefas rotineiras quanto para análises complexas de cenários econômicos e políticos”, explicou. Segundo ela, o ritmo acelerado dos avanços tecnológicos frequentemente supera a capacidade de regulação e entendimento das sociedades.
A pesquisadora disse que o atual momento histórico pode ser comparado ao período da primeira Revolução Industrial e à era do surgimento da internet. Ela classifica a IA como “a mais profunda transformação tecnológica do século”.
“A Internet teve sua bolha, mas nunca voltamos a viver como antes dela. A IA inaugura uma nova realidade que impacta tudo: geopolítica, economia e relações de trabalho.”
Supervisão e responsabilidade
Sandra Boccia defendeu o uso consciente e responsável da IA, especialmente no ambiente profissional. Para ilustrar, sugeriu que essas ferramentas sejam vistas como “um estagiário brilhante que precisa de supervisão”.
Ela alertou que delegar tarefas à IA sem revisar os resultados pode gerar erros, já que os sistemas são projetados para engajar o usuário — e não para reconhecer suas próprias limitações.
Boccia também chamou atenção para o risco da antropomorfização das plataformas, quando usuários passam a enxergar a IA como uma entidade humana. “Essas plataformas aprendem o vocabulário do usuário, soam empáticas, e isso pode gerar uma falsa sensação de confiança. Mas, por trás delas, estão grandes empresas de tecnologia coletando dados.”
Pensamento crítico e linguagem
Entre os principais riscos apontados por Sandra Boccia está a possível atrofia do pensamento crítico.
“O pensamento é como um músculo: se não for exercitado, ele se atrofia. Estudos indicam que o uso excessivo de IA pode reduzir a capacidade crítica das pessoas”, afirmou.
Ela também ressaltou que escrever é um ato de traduzir o próprio pensamento, e que delegar essa função à máquina compromete a autonomia intelectual.
“Por mais eficiente que seja a tecnologia, ela não sente o que você sente. Ao deixar de escrever e de escolher as palavras, estamos abrindo mão de parte da nossa agência humana.”
O papel da mediação humana
Por fim, Boccia reforçou que o papel do ser humano diante da IA é compreender, mediar e supervisionar o uso dessas tecnologias. “A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas precisa ser usada com consciência. O desafio é garantir que ela amplifique o potencial humano — e não o substitua.”
📺 A entrevista completa está disponível no canal BC TV:




