O presidente Maduro está sendo encurralado pelo governo Trump. (Foto: EBC)


O governo da Venezuela condenou nesta segunda-feira (24) a decisão dos Estados Unidos de incluir o chamado Cartel de los Soles na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

Em comunicado oficial, Caracas afirmou que a medida representa “mais uma mentira ridícula” destinada a justificar uma intervenção militar “ilegítima e ilegal” no país.

Segundo o texto, a iniciativa “terá o mesmo destino das agressões anteriores e recorrentes contra a Venezuela”, acusando Washington de utilizar “a clássica fórmula” para tentar forçar uma mudança de regime e depor o presidente Nicolás Maduro.

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A existência do Cartel de los Soles é contestada por especialistas, que apontam tratar-se de uma rede de corrupção ligada a atividades ilícitas. O presidente colombiano Gustavo Petro, aliado de Maduro, classificou recentemente o cartel como “uma invenção da extrema direita para derrubar governos que não lhes obedecem”.

Washington acusa Maduro de liderar o grupo e de envolvimento com o narcotráfico. O governo americano ofereceu recompensa de US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões) por sua captura. Autoridades venezuelanas afirmam que o envio de tropas dos EUA tem como objetivo derrubar Maduro e controlar as reservas de petróleo do país.

Pressão militar

No dia 16 de novembro, o secretário de Estado Marco Rubio solicitou a inclusão do cartel na lista de organizações terroristas. A decisão foi oficializada nesta segunda-feira pelo Registro Federal. A relação de FTOs reúne grupos islamistas, separatistas, guerrilheiros e, mais recentemente, gangues.

Os Estados Unidos enviaram ao Caribe o maior porta-aviões do mundo, acompanhado de uma flotilha de navios de guerra, oficialmente para operações antidrogas com foco na Venezuela. O governo Trump tem alternado sinais de ameaça militar com declarações sobre negociações. O presidente autorizou operações secretas da CIA no país e afirmou não descartar uma intervenção, embora tenha dito que pretende dialogar com Maduro.

Especialistas avaliam que a designação como FTO não implica diretamente em ação militar, mas abre espaço para medidas de pressão, incluindo sanções. Companhias aéreas cancelaram voos para a Venezuela após alerta de autoridades americanas sobre “aumento na atividade militar” na região.

Impacto econômico

Desde 2019, a Venezuela é alvo de sanções dos EUA, incluindo embargo ao petróleo, o que obriga Caracas a vender no mercado paralelo a preços reduzidos. Economistas afirmam que a nova medida pode agravar a crise econômica, em um país onde grande parte da população vive na pobreza.