O futuro da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal não está apenas nas mãos dos senadores indecisos: paira sobre a decisão de Davi Alcolumbre.
O presidente do Senado, que optou por não receber o indicado de Lula antes da sabatina marcada para esta quarta-feira (29), transformou sua postura reservada em um fator de peso no desfecho da votação.
Nos corredores da Casa, a leitura é clara: a neutralidade de Alcolumbre pode ser apenas aparente.
Entre os 21 parlamentares que ainda não se posicionaram, ao menos 12 orbitam em torno de sua influência direta.
Sem um gesto dele, o governo vê a base encolher — de 46 votos projetados, o cálculo agora não passa de 44.
O tabuleiro político
25 senadores já declararam apoio firme a Messias
35 se dizem contrários
21 permanecem indecisos, aguardando sinais
O peso da cautela
Alcolumbre insiste que não atua contra o nome de Lula, mas relembra que alertou o presidente sobre a resistência que Messias enfrentaria. Sua decisão de não abrir as portas ao indicado é interpretada como recado político: qualquer aproximação poderia ser lida como chancela.
Governo em busca de votos
O ministro José Guimarães tenta reverter o cenário com a liberação de emendas parlamentares — R$ 12 bilhões empenhados em abril.
Mas a memória da votação de Flávio Dino, quando promessas não se concretizaram, alimenta a desconfiança. Senadores exigem garantias e só aceitariam acordos com o aval de Alcolumbre, visto como fiador.
Clima de incerteza
Para Jaques Wagner, líder do governo, Alcolumbre não está pedindo votos contra, mas tampouco ajuda. “Institucionalmente, deveria receber Messias”, disse. A ausência desse gesto reforça a percepção de que o presidente do Senado prefere manter o jogo em aberto até o último momento.
O destino da indicação, portanto, não será decidido apenas na sabatina: dependerá da escolha de Alcolumbre entre permanecer neutro ou se tornar protagonista.





