A entidade manifestou preocupação com os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre as tarifas de gás natural no Brasil e aponta risco de novos aumentos.
“Apesar de o Brasil possuir relevante produção em campos nacionais, de mais de 65 milhões de m3/d (metro cúbicos por dia) de gás natural disponibilizados ao mercado em fevereiro deste ano, segundo último boletim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e de esse volume ser integralmente destinado ao consumo nacional, sem exportação, é questionável que o País continue com exposição a efeitos geopolíticos”, disse em nota o diretor-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça.
Para ele, “o Brasil não deveria estar exposto a esses impactos” e é necessário que o preço da molécula tenha indexadores que reflitam a realidade doméstica.
Mendonça também defendeu isonomia em relação a combustíveis concorrentes mais poluentes, e criticou o que chama de benefício a outras fontes por meio de isenções, “em detrimento do gás natural”.
A Abegás reforçou ainda, que as tarifas são recalculadas periodicamente pelas agências reguladoras estaduais, em processos autônomos e transparentes, levando em conta a variação da molécula e características de cada segmento.
“Esse cálculo, que poder variar conforme segmento (industrial, residencial, comercial, veicular etc) leva em conta não só a variação do preço da molécula, mas as especificidades de cada segmento de cada distribuidora, sendo um processo autônomo, independente e transparente realizado pela agência reguladora”, explicou.
Segundo a Abegás, as distribuidoras operam no sistema de repasse integral (“pass-through”), sem ganho com a alta do insumo, e não definem o preço final do Gás Natural Veicular (GNV) nos postos, que é de responsabilidade das empresas que administram os estabelecimentos.

