O tratado nuclear que limitava os arsenais estratégicos de Estados Unidos e Rússia expirou na virada de quarta-feira (4) para quinta-feira (5), encerrando o último acordo bilateral de controle de armas entre as duas maiores potências nucleares do mundo. Conhecido como New START, o entendimento impunha limites ao número de ogivas nucleares prontas para uso e estabelecia mecanismos de fiscalização mútua.
Em vigor desde 2010, o tratado autorizava cada país a manter até 1.550 ogivas estratégicas implantadas, além de um teto de 700 mísseis balísticos e bombardeiros pesados capazes de lançá-las a partir de terra, mar ou submarinos. Mais do que números, porém, analistas de segurança destacam que o acordo garantia transparência, previsibilidade e canais de comunicação essenciais para evitar escaladas acidentais.
Com o fim do New START, esta é a primeira vez em mais de 50 anos que Washington e Moscou ficam sem qualquer restrição formal sobre o tamanho de seus arsenais estratégicos — justamente as armas destinadas a atingir capitais, bases militares e centros industriais em um eventual conflito nuclear. Especialistas alertam que, sem regras claras, cresce a dificuldade de interpretar as intenções do adversário.
Esse cenário pode levar a uma nova corrida armamentista, na qual cada lado amplia seu arsenal com base em avaliações pessimistas sobre o outro. A Rússia afirmou estar aberta a negociações e prometeu agir de forma responsável, embora tenha ressaltado que reagirá a novas ameaças. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou anteriormente que, se o tratado expirasse, deveria ser substituído por um acordo “melhor”.


