O ministro Nunes Marques. (Reprodução)


Uma viagem realizada em novembro de 2025 pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Nunes Marques para uma festa em Maceió voltou ao centro das atenções neste sábado (4).

O ministro, acompanhado de sua esposa, utilizou um voo privado financiado pela advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua em processos envolvendo o Banco Master, instituição financeira que também possui conexões com a aeronave utilizada.

A dinâmica da viagem

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A aeronave utilizada no deslocamento de Brasília para a capital alagoana é administrada pela empresa Prime You, que gere bens de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O episódio, revelado inicialmente pelo Estadão, aponta que o voo teria sido solicitado e custeado pela advogada para que o ministro comparecesse às celebrações de seu aniversário.

A relação entre o magistrado e a advogada, que é casada com o desembargador Newton Ramos, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), é descrita pelo gabinete do ministro como uma “amizade de longa data”.

Defesas e críticas

Procurado pela reportagem, o gabinete de Nunes Marques confirmou o uso do transporte, mas enfatizou que não houve irregularidade. Em nota, a assessoria do ministro sustentou que:

“O ministro viajou para o aniversário da advogada e ela ficou responsável pelo voo.”

A explicação, no entanto, não arrefeceu as críticas de especialistas em ética jurídica. Observadores do cenário político de Brasília questionam a proximidade entre magistrados e advogados que possuem causas pendentes nos tribunais superiores.

“O problema não é a amizade em si, mas a promiscuidade de ministros aceitarem caronas ou voos bancados por quem tem interesses diretos no Judiciário”, afirmou uma fonte ligada ao meio jurídico, sob condição de anonimato. “Essa cultura de privilégios e a falta de transparência sobre quem paga a conta do luxo dos tribunais ferem a impessoalidade necessária ao cargo”, completou outra fonte ouvida pelo portal.

O contexto do Banco Master

A operação levanta questionamentos sobre a governança no STF, especialmente considerando que a advogada Camilla Ewerton Ramos atua em processos nos quais o Banco Master figura como parte interessada. Embora o gabinete garanta que não há impedimentos formais, o caso se soma a uma série de episódios recentes envolvendo o uso de jatos privados por autoridades brasileiras, provocando um debate acalorado nas redes sociais e nos bastidores do Congresso Nacional sobre a necessidade de maior rigor nas normas de conduta para ministros da Corte.

O ministro, até o momento, não informou se pretende se declarar impedido em futuros julgamentos que envolvam o Banco Master ou os advogados citados na reportagem.

Nota gabinete ministro Nunes Marques

No dia 14/11/25, o Ministro Nunes Marques e a esposa viajaram para festa de aniversário de Camila, casada com o desembargador Newton Ramos, que foi colega do Ministro no TRF1. Camila convidou o Ministro e outros casais de amigos e ficou responsável pelo voo e detalhes da viagem.