O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, rejeitou nesta terça-feira (3) o pedido para anular a decisão da CPMI do INSS que aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Lins Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida havia sido aprovada no último dia 26 de fevereiro, em meio a questionamentos sobre a condução da votação. Mais cedo, Alcolumbre informou que consultaria a advocacia do Senado antes de tomar uma decisão, mas concluiu que não houve violação evidente das normas regimentais.
A controvérsia teve origem na forma como foi realizada a votação do requerimento, feita de maneira simbólica, por contraste visual, sem contagem nominal dos votos. Parlamentares governistas contestaram o resultado proclamado pelo presidente da comissão, senador Vanderlan Cardoso, que desconsiderou votos de suplentes e declarou a aprovação da medida por sete votos contrários. A decisão provocou tumulto na sessão, com empurra-empurra e troca de agressões entre deputados.
Entre os envolvidos na confusão estavam os deputados Rogério Correia, Alfredo Gaspar, Evair de Melo e Luiz Lima, que precisaram ser contidos por colegas. Apesar do clima de tensão, a comissão também aprovou convocações de outros investigados para prestar depoimento no âmbito das apurações sobre suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em entrevistas, o presidente da CPMI defendeu a legalidade do procedimento e afirmou ter seguido rigorosamente o regimento interno do Senado e da comissão. Já o deputado Paulo Pimenta classificou a votação como irregular e anunciou que pediria a anulação do resultado — solicitação posteriormente negada por Alcolumbre. O impasse aprofunda a disputa política em torno dos trabalhos da CPMI e da investigação envolvendo o filho do presidente da República.




