Após o julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã da vereadora, falou à imprensa.
Ela destacou que o resultado representa um avanço importante, mas não pode ser visto como motivo de comemoração.
“Não tem celebração, mas eu diria afirmação do que a gente lutou durante os últimos oito anos. Acho que os votos foram fortes. Acho que tiveram falas muito importantes, principalmente direcionadas à violência política, gênero e raça, que acho que esse é um ponto que a gente precisa pegar”, afirmou.
“Justiça mesmo seria a Mari estar aqui”
Anielle ressaltou que, apesar da decisão, a ausência da irmã continua sendo a maior dor da família.
“Eu confesso que Justiça mesmo seria a Mari estar aqui, mas hoje a gente deu um grande passo. Que isso sirva de exemplo para muitas pessoas, que não existe impunidade para nenhum crime”, disse.
Ela também destacou que o julgamento trouxe mensagens relevantes sobre democracia e enfrentamento da violência política.
“Acalenta saber que a luta da gente chegou a oito anos depois com as respostas que estamos tendo aqui hoje”, completou.
Falas dos ministros
A ministra citou trechos dos votos de Flávio Dino e Cármen Lúcia, que acompanharam integralmente o relator Alexandre de Moraes.
“O ministro Dino disse que o crime foi mal investigado, e a ministra Cármen Lúcia cobrou Justiça para que outras famílias não passem pelo mesmo sofrimento que a nossa. Essas falas são muito importantes porque reforçam que não se trata só da nossa dor, mas de um problema estrutural”, afirmou Anielle.
“Que sirva de exemplo”
Ao final, Anielle reforçou que a decisão deve ser entendida como um marco contra a impunidade e como um recado para a sociedade.
“Hoje demos um grande passo. Que isso sirva de exemplo para muitas pessoas, que não existe impunidade para nenhum crime”, concluiu.


