A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta sexta-feira (28), o recolhimento imediato do suplemento alimentar líquido Power Honey, fabricado pela empresa Alemed Nutracêutica Indústria e Comércio Ltda. A medida inclui a suspensão da comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e consumo do produto em todo o território nacional.
Conservantes em excesso e promessas falsas
Segundo a Resolução-RE nº 4.770, publicada no Diário Oficial da União, o Power Honey apresenta níveis de benzoato de sódio e sorbato de potássio acima dos limites permitidos pela legislação sanitária. Esses conservantes, quando consumidos em excesso, podem causar reações alérgicas, irritações gástricas e, em casos mais graves, sobrecarga hepática e renal.
Além disso, o suplemento faz alegações terapêuticas não autorizadas, como “estimulante natural”, e utiliza rotulagem e propaganda com elementos gráficos que induzem o consumidor ao erro sobre sua composição e efeitos. A Anvisa também apontou obstrução da fiscalização por parte da empresa, o que agravou a infração.

Mercado de suplementos sob alerta
O caso do Power Honey não é isolado. Segundo levantamento da própria Anvisa, cerca de 65% dos suplementos analisados até julho de 2025 apresentaram algum tipo de irregularidade, como ausência de registro, composição inadequada ou rotulagem enganosa. Nos últimos 12 meses, mais de 10 marcas foram banidas do mercado, incluindo produtos das empresas Verde Flora, Unlimited Alimentos e Bugroon Raízes.
Principais problemas encontrados:
- Falta de registro ou notificação junto à Anvisa
- Presença de substâncias não autorizadas
- Promessas terapêuticas sem comprovação científica
- Conservantes e aditivos em níveis tóxicos
- Propaganda com apelo medicinal ou sexual
Riscos à saúde
O consumo de suplementos irregulares pode trazer sérios riscos à saúde. Conservantes como benzoato de sódio, por exemplo, podem se transformar em benzeno — substância potencialmente cancerígena — quando combinados com vitamina C em determinadas condições. Já o sorbato de potássio, em excesso, pode causar distúrbios digestivos e neurológicos.
Além disso, a falsa sensação de segurança promovida por embalagens chamativas e slogans como “cura natural” ou “energia instantânea” pode levar o consumidor a negligenciar tratamentos médicos adequados.
O que diz a Anvisa
A agência reforça que suplementos alimentares não devem ser confundidos com medicamentos e que qualquer alegação de benefício à saúde precisa ser respaldada por estudos científicos e aprovação regulatória. Produtos que prometem efeitos terapêuticos sem comprovação são considerados propaganda enganosa e estão sujeitos à retirada do mercado.
Para saber se um suplemento é regularizado, o consumidor pode consultar o portal da Anvisa ou buscar orientação com profissionais de saúde.




