O cantor, compositor e multi-instrumentista, Arlindo Cruz morreu nesta sexta-feira (8), no Rio de Janeiro, aos 66 anos. A informação foi confirmada por sua esposa, Babi Cruz. O artista, que já não se apresentava, lutava contra as sequelas de um acidente vascular cerebral hemorrágico sofrido em março de 2017, que o deixou internado por quase um ano e meio e resultou em diversas hospitalizações desde então.
Nascido em 1958, Arlindo Domingos da Cruz Filho era um talento precoce, recebendo seu primeiro cavaquinho aos 7 anos. Ele aprimorou sua técnica tocando “de ouvido” e estudando teoria musical e violão clássico, o que o levou a integrar rodas de samba ainda jovem. Nessas rodas, ele conheceu seu “padrinho musical”, Candeia, que o ajudou a fazer suas primeiras gravações. A carreira de Arlindo decolou definitivamente ao frequentar o Cacique de Ramos, onde se tornou parceiro de Zeca Pagodinho e Sombrinha, e teve 12 músicas gravadas por outros artistas.
O sambista teve uma trajetória marcada por sucessos e parcerias importantes. Ele integrou o lendário grupo Fundo de Quintal por 12 anos, substituindo Jorge Aragão, e gravou clássicos como “Seja sambista também” e “Só Pra Contrariar”. Como compositor, teve mais de 550 músicas gravadas por grandes nomes da música brasileira, como Zeca Pagodinho e Beth Carvalho. Sua paixão pelo carnaval também o destacou, com vários sambas-enredo vitoriosos na sua escola do coração, a Império Serrano, que o homenageou em 2023.
Em sua carreira solo, Arlindo Cruz continuou a lançar álbuns de sucesso, como o DVD “MTV Ao Vivo” (2009) e o CD “Batuques do Meu Lugar” (2012), que contou com participações de Alcione, Caetano Veloso e Zeca Pagodinho. O artista também era um apaixonado pelo futebol, especialmente pelo Flamengo, seu time do coração. Ele deixa um legado inestimável para a cultura brasileira, sendo uma referência para diversas gerações e uma das vozes mais importantes do samba de todos os tempos.




