A arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) atingiu em agosto o maior valor mensal da série histórica, somando R$ 8,45 bilhões, segundo dados divulgados pela Receita Federal nesta quarta-feira (1).
O resultado representa um crescimento de 42,5% em relação ao mesmo período de 2024 e ocorre na contramão da tendência observada nos demais tributos federais, cuja arrecadação apresentou retração no mês.
O desempenho do IOF foi impulsionado pelo aumento de alíquotas promovido pelo Decreto nº 12.499/2025, que entrou em vigor em julho.
A medida ampliou a incidência do imposto sobre diversas operações financeiras, como compras internacionais com cartão de crédito, remessas ao exterior, seguros VGBL e operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas.
A alta na arrecadação não está relacionada ao crescimento da atividade econômica ou à expansão do crédito, mas sim ao aumento da carga tributária sobre essas operações.
Em agosto, a economia brasileira mostrou sinais de desaceleração, reflexo da taxa básica de juros (Selic) mantida em patamar elevado — o maior em quase duas décadas — como estratégia de contenção da inflação.
De acordo com especialistas, o movimento do IOF contrasta com a queda observada na arrecadação de tributos como o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), afetados pela redução na lucratividade das empresas e pela menor dinâmica de consumo.
A elevação do IOF tem gerado críticas de setores produtivos e de consumidores, que apontam o impacto sobre o custo das operações financeiras e sobre o acesso ao crédito. Por outro lado, o governo defende a medida como necessária para recompor receitas em um cenário de desaceleração econômica e pressão fiscal.



