A Bosch, pioneira no desenvolvimento de motores flex no início dos anos 2000, anunciou uma nova tecnologia automotiva que promete revolucionar o mercado. Trata-se de um motor híbrido capaz de operar com partes iguais de diesel e etanol. Diferente dos motores flex tradicionais, essa inovação utiliza dois sistemas de injeção de combustível: diesel no início da operação, seguido pela entrada gradativa de etanol, controlada por um sistema eletrônico autônomo.
O projeto, que levou mais de uma década de pesquisa, avançou em 2024 e está pronto para produção comercial. Inicialmente, a tecnologia será aplicada em máquinas agrícolas, como colheitadeiras e locomotivas, antes de chegar ao transporte de cargas, como caminhões e ônibus. Um dos objetivos principais da Bosch é reduzir emissões de dióxido de carbono (CO2), especialmente em setores de alto consumo de diesel, como mineradoras, que chegam a gastar até 1 milhão de litros anuais desse combustível.
Essa tecnologia, curiosamente, não é uma novidade completa. Em 1983, a empresa Valmet aplicou uma solução semelhante no Brasil, mas sem aceitação comercial. Agora, com avanços na engenharia e maior preocupação ambiental, a Bosch espera que o mercado esteja mais receptivo.
O projeto recebeu apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com um investimento de R$ 521 milhões, e a previsão de lançamento é para o final de 2025. Embora ainda não seja possível calcular precisamente o impacto ambiental, a expectativa é que o uso do etanol, derivado da cana-de-açúcar, equilibre o consumo de combustíveis fósseis e promova práticas mais sustentáveis.
Além de fornecer soluções para setores agrícolas e de transporte, a Bosch reafirma seu compromisso com a inovação tecnológica e o combate às emissões, buscando transformar não só o mercado brasileiro, mas também expandir esse modelo para outros países.


