O presidente Lula participou do almoço do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), durante a Cúpula do Clima de Belém - Reprodução

O governo brasileiro lançou nesta quinta-feira (6) o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa internacional voltada à preservação de áreas tropicais em países em desenvolvimento.

O anúncio foi feito durante a cúpula de líderes que antecede a abertura oficial da COP30, em Belém.

A Noruega confirmou um aporte de US$ 3 bilhões no mecanismo, que busca remunerar nações que comprovem redução do desmatamento. (Leia detalhes aqui)

O fundo, proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será operado com capital misto e governança compartilhada entre países do Norte e do Sul Global. A ideia é que os recursos sejam distribuídos com base em resultados ambientais verificados, como queda no ritmo de destruição das florestas.

“Estamos propondo um novo modelo de cooperação internacional, em que quem preserva recebe e quem investe tem retorno. As florestas tropicais não são problema, são parte da solução”, disse Lula, ao lado de chefes de Estado e representantes de organismos multilaterais.

Segundo o governo brasileiro, mais de 70 países tropicais poderão se beneficiar do fundo, desde que apresentem desempenho ambiental superior à média global. Juntas, essas nações abrigam cerca de 1 bilhão de hectares de florestas tropicais e subtropicais úmidas.

A Noruega, principal financiadora do Fundo Amazônia, foi o primeiro país a confirmar investimento no novo mecanismo. “Estamos comprometidos com soluções que valorizem as florestas em pé. O Brasil está liderando com coragem e visão”, afirmou Espen Barth Eide, ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega.

Além da Noruega, o Reino Unido também manifestou apoio à proposta. O Brasil anunciou um aporte inicial de US$ 1 bilhão. Empresas, fundos soberanos e investidores privados poderão aplicar recursos no fundo, que prevê retorno financeiro vinculado à valorização dos ativos ambientais.

Do total arrecadado, 20% será destinado diretamente a povos indígenas e comunidades tradicionais, segundo o Ministério do Meio Ambiente. A operação será baseada em empréstimos de longo prazo com juros baixos, e os repasses serão feitos conforme metas de preservação atingidas