Uma pesquisa internacional da Ipsos revela que 72% dos brasileiros apoiam leis de trânsito mais rigorosas para aumentar a segurança nas estradas. O índice é superior à média global, de 66%. O estudo, realizado em 31 países, integra o Relatório de Mobilidade 2026 e indica que a preocupação com acidentes é maior em áreas urbanas (57%) do que em zonas rurais (51%) ou suburbanas (52%).
O apoio a limites de velocidade mais baixos varia conforme o tipo de via. Em áreas residenciais, 70% dos entrevistados concordam com a medida. Já em rodovias e autoestradas, o índice cai para 56% e, em 12 países, a proposta recebe apoio minoritário.
Há também diferenças entre homens e mulheres. Em todas as gerações, elas são mais propensas a defender limites menores. Entre os Baby Boomers, 61% das mulheres apoiam a redução, contra 47% dos homens.
Dependência do carro
O relatório mostra que o apego ao automóvel particular continua forte. No Brasil, 33% afirmam ser impossível viver sem carro. Globalmente, a média é de 43%, chegando a 65% nos Estados Unidos.
Apesar disso, quase metade dos brasileiros (49%) diz que poderia viver sem o veículo, mas prefere mantê-lo. Em 22 dos 31 países pesquisados, dirigir é o meio de transporte favorito. “Existe um profundo apego emocional à posse de um carro, o que abre espaço para explorar aspectos experienciais e emocionais no design e marketing das marcas”, afirma Patrícia Pavanelli, diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec.
O local de residência influencia a percepção: 60% dos moradores de áreas rurais dizem não conseguir viver sem carro, contra 46% dos suburbanos e 37% dos urbanos. Entre jovens e pessoas de baixa renda, há maior diversidade de escolhas. No Brasil, 24% dos entrevistados com menor renda preferem o carro, mas a mesma proporção aponta transporte público ou caminhar como opção favorita.
A Geração Z mantém preferência pelo automóvel (26%), mas demonstra maior simpatia pelo transporte público (22%) do que outras faixas etárias.
Metodologia
O levantamento foi feito entre 21 de novembro e 5 de dezembro de 2025, com 23.722 adultos em 31 países. No Brasil, a amostra foi de cerca de mil pessoas. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.





