O Banco de Brasília (BRB) ingressou na Justiça para cobrar uma dívida de R$ 799,4 mil do ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, afastado do cargo em novembro de 2025 e investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em inquérito que apura suspeitas de irregularidades nas operações entre o BRB e o Banco Master.
A ação foi protocolada em 9 de março e tramita na 3ª Vara de Execução de Títulos Extrajudiciais e Conflitos Arbitrais de Brasília.
Segundo o BRB, Costa deixou de pagar parcelas de quatro empréstimos contratados entre junho de 2021 e outubro de 2024. Os pagamentos foram interrompidos em dezembro, mês seguinte ao seu afastamento.
Em manifestação ao juízo, o banco afirmou: “Vale ressaltar que o inadimplemento no pagamento das prestações ajustadas ocasionou o vencimento antecipado da totalidade da dívida, conforme previsão nos instrumentos de crédito.”
O valor total da cobrança é de R$ 799.435,79. O BRB pede a expedição de mandado de citação, penhora e avaliação de bens do ex-presidente, além da inclusão de custas processuais e honorários advocatícios de 20%. Caso não sejam localizados bens suficientes, a instituição solicita a penhora de 30% do salário de Costa.
Contexto da investigação
Paulo Henrique Costa é investigado no STF em inquérito que apura a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, operação vetada pelo Banco Central em 2025. Antes disso, o BRB havia adquirido papéis do Master que resultaram em prejuízo estimado em R$ 5 bilhões.
A Polícia Federal também apura a venda de ações do BRB a investigados, entre eles Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, e João Carlos Mansur, da gestora Reag. Auditoria externa contratada pela atual gestão do BRB apontou que Costa concentrou as negociações com o Master e a busca por novos acionistas.
Em nota enviada à imprensa, a defesa de Paulo Henrique Costa negou irregularidades: “Nosso cliente não exerceu papel central nas operações investigadas e sempre atuou dentro dos limites legais e regulatórios.”
O ex-presidente foi afastado do cargo em novembro de 2025, na esteira da operação Compliance Zero, que também levou à prisão de executivos do Banco Master.




