O rei Charles III com o presidente Trump na Inglaterra. (Reprodução: TV)


O Rei Charles III inicia nesta segunda-feira (27) uma visita oficial de quatro dias aos Estados Unidos, um esforço diplomático de alto risco que busca estabilizar a aliança anglo-americana em um dos seus momentos mais frágeis em décadas. O monarca será recebido pelo presidente Donald Trump na Casa Branca, em um cenário marcado pela guerra no Irã e por divergências públicas entre os dois governos.

A segurança em Washington foi intensificada após as autoridades frustrarem um ataque no sábado à noite, quando um homem armado invadiu um jantar da imprensa com a intenção declarada de atingir Trump. Apesar do incidente, o Palácio de Buckingham e o Departamento de Estado confirmaram a manutenção da agenda, que coincide com as celebrações do 250º aniversário da independência americana.

Historiadores britânicos descrevem o atual estado das relações transatlânticas como a pior crise em um século. O governo Trump tem exercido pressão sobre os aliados da OTAN, especialmente o Reino Unido e a Espanha, exigindo maior apoio militar na ofensiva contra Teerã.

Desafios diplomáticos e atritos pessoais

A missão de Charles III é complexa: projetar a estabilidade da monarquia britânica diante de um presidente que tem desferido ataques verbais frequentes ao primeiro-ministro Keir Starmer. Recentemente, Trump ironizou o poderio naval britânico e afirmou que Starmer “não é Winston Churchill”.

A tensão é ampliada por questões simbólicas e políticas:

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  • A imagem religiosa: Círculos diplomáticos sugerem desconforto real após a circulação de imagens geradas por inteligência artificial que retratavam Trump como uma figura messiânica, o que contrasta com o papel de Charles III como Governador Supremo da Igreja da Inglaterra.
  • A questão das Malvinas: Um vazamento recente do Pentágono indicou que a Casa Branca poderia rever seu apoio histórico à soberania britânica sobre as Ilhas Malvinas (Falklands), possivelmente como represália à hesitação britânica no conflito com o Irã e em deferência ao alinhamento de Trump com o presidente argentino, Javier Milei.

A visita do monarca britânico ocorre após um atentado frustrado contra Donald Trump e evidência fissuras na “relação especial” entre Washington e Londres

A viagem também é assombrada pelo legado do escândalo envolvendo o Príncipe Andrew e sua associação com Jeffrey Epstein. O Rei Charles III enfrentou críticas por não incluir reuniões com sobreviventes de Epstein em sua agenda. Em uma tentativa de mitigar o impacto na opinião pública, a Rainha Camilla deverá se encontrar com vítimas de violência doméstica.

Em Londres, o governo Starmer enfrenta sua própria crise de credibilidade. Revelações recentes indicam que o novo embaixador britânico em Washington, também associado ao círculo de Epstein, assumiu o cargo apesar de falhas em processos de verificação de segurança.

Agenda Oficial

O cronograma real prevê um chá privado com o presidente e a primeira-dama Melania Trump nesta segunda-feira, seguido por uma recepção nos jardins da Casa Branca. Na terça-feira, o Rei fará um discurso perante o Congresso americano, onde se espera que ele reitere os valores democráticos compartilhados, embora sua posição como monarca constitucional o impeça de intervir diretamente em políticas governamentais.

A viagem incluirá ainda passagens por Nova York, para homenagens às vítimas do 11 de setembro, e pela Virgínia, onde as cerimônias de 250 anos da independência servirão como o teste final para a durabilidade da “relação especial” entre as duas nações.