A briga comercial entre China e Estados Unidos acaba de ficar ainda mais intensa. Em resposta ao tarifaço imposto por Washington sobre produtos chineses, Pequim decidiu barrar a entrega de novos jatos da Boeing para suas companhias aéreas. E não parou por aí—o governo chinês também orientou suas empresas a suspender a compra de peças e equipamentos aeronáuticos de fornecedores americanos.
Esse movimento pode pesar no bolso das transportadoras chinesas, que precisarão lidar com custos mais altos na manutenção dos jatos da Boeing já em operação. Além disso, Pequim está estudando maneiras de ajudar financeiramente as companhias que alugam aeronaves da empresa americana e estão sentindo o impacto da guerra tarifária.
A Boeing, que tem a China como um dos seus principais mercados internacionais, já sente o golpe: suas ações chegaram a cair 2% na bolsa logo pela manhã. Vale lembrar que a fabricante americana ainda se recupera de um período difícil, que inclui uma greve trabalhista e um incidente sério com uma de suas aeronaves em janeiro.
A decisão do governo chinês está alinhada com sua resposta anterior ao tarifaço dos EUA, quando aumentou as taxas de importação para 125%. Para as companhias aéreas da China, essa nova barreira deve pesar no orçamento e pode acelerar a busca por alternativas, como modelos da Airbus e da fabricante doméstica COMAC.
O embate entre as duas maiores economias do mundo preocupa analistas, pois pode afetar drasticamente o comércio bilateral, que movimentou mais de US$ 650 bilhões no ano passado. Enquanto isso, empresas e consumidores dos dois países observam atentos o desenrolar dessa disputa, que parece longe de um desfecho.
Ações da Boeing caem e as da Embraer sobem
As ações da Boeing operavam em queda nesta terça-feira, 15, após o governo chinês orientar companhias aéreas do país a não realizarem novos pedidos dos jatos da fabricante norte-americana.
A medida, que também exige aprovação prévia para entregas já contratadas, foi vista como um novo capítulo na escalada da guerra comercial entre China e Estados Unidos.
Segundo a Bloomberg, a Administração de Aviação Civil da China (CAAC) teria determinado a suspensão das entregas dos aviões da Boeing. Com isso, os papéis da empresa recuaram 1,38% na Bolsa de Nova York logo após a abertura do mercado.
A China representa um dos mercados mais relevantes para a Boeing no longo prazo. A companhia estima que o país asiático responderá por cerca de 20% das entregas globais de aeronaves nas próximas duas décadas.
Enquanto isso, as ações da brasileira Embraer reagiram positivamente. Na B3, os papéis subiam 4% às 11h. Em Nova York, as ADRs da fabricante brasileira avançavam 3,78%.





