Sede do governo da China, em Pequim, que anunciou represália contra o governo Trump, sobretaxando os produtos dos EUA. (Foto Divulgação)


Pequim anunciou que vai impor tarifas adicionais de 34% sobre os produtos norte-americanos a partir do dia 10 de abril, anunciou nesta sexta-feira (4) o Ministério das Finanças da China em um comunicado.


As bolsas europeias despencaram após a resposta chinesa às tarifas norte-americanas. Na Europa, Frankfurt caiu 5,08%, Paris 4,26% e Londres 3,90%. Milão despencou 7,57%, e Madri, 6,02%.


Além das taxas, Pequim vai reforçar o controle das exportações de produtos de 16 empresas americanas e outras onze foram adicionadas à lista de entidades pouco confiáveis. A China mobiliza todos os seus mecanismos legais, com repercussões diretas nas cadeias de suprimentos de alta tecnologia e nos setores relacionados à defesa.

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Essa escalada poderia marcar um ponto de virada com contramedidas norte-americanas, endurecimento chinês, um impacto crescente nas cadeias de suprimentos globais, e até mesmo uma aceleração do descolamento econômico entre as duas potências.


TERRAS RARAS


O Ministério do Comércio da China também anunciou controles à exportação sobre sete elementos de terras raras, incluindo o gadolínio, usado especialmente em ressonância magnética, e o itérbio, utilizado em eletrônicos de consumo.


Os Estados Unidos não permitirão que a Groenlândia se torne “dependente” da China, reagiu nesta sexta-feira (4) o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, quando questionado sobre essa ilha do Ártico, um território autônomo da Dinamarca que tem sido alvo de interesse constante pela administração de Donald Trump.


“Não vamos deixar que a China chegue lá e ofereça muito dinheiro para que eles se tornem dependentes da China”, declarou Rubio após uma reunião ministerial da Otan em Bruxelas.


O Ministério do Comércio chinês acrescentou que recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos às suas exportações. “A China entrou com uma queixa no mecanismo de resolução de disputas da OMC”, afirmou em um comunicado.


ESCALADA


“As medidas de retaliação da China marcam o início de uma escalada”, comenta Alexandre Baradez, responsável pela análise de mercados da IG França.


As novas tarifas anunciadas por Donald Trump na noite de quarta-feira são particularmente punitivas para a China, que recebeu tarifas adicionais de 34%. Já afetada por outras tarifas, os impostos sobre seus produtos vão aumentar 54% no total.


“O dia 2 de abril ficará marcado como um ponto de mudança na história do comércio mundial. As medidas anunciadas por Donald Trump desencadearam um choque: mercados tensos, inflação em alta e parceiros comerciais na defensiva”, comentou John Plassard, especialista em investimentos da Mirabaud.


A onda de choque das declarações de Donald Trump continuou a abalar a Ásia nesta sexta-feira. A Bolsa de Tóquio ampliou suas perdas ao fechamento: o índice de referência Nikkei perdeu 2,75%, e o índice Topix recuou 3,37%.


Da mesma forma, a Bolsa de Sydney caiu 2,44%, e a de Seul recuou 0,86%. As bolsas chinesas estavam fechadas devido a um feriado. “A julgar pelas reações dos mercados globais, a incerteza está maior do que nunca”, destacaram os analistas da Tokai Tokyo Securities.