Adam Jordan


Adam Jordan*

A exigência de conformidade com as normas de sustentabilidade e clima IFRS S1 e S2 (Normas Internacionais de Relato Financeiro sobre Sustentabilidade e Clima) está remodelando profundamente o ambiente empresarial brasileiro. Mais do que uma resposta a reguladores, trata-se de uma reestruturação estratégica que influenciará diretamente a viabilidade econômica, o acesso a mercados e a reputação das organizações. Estudo recente aponta que 65% das empresas no país ainda não estão preparadas para se adequar a essas exigências e correm o risco de perder relevância competitiva nos próximos anos.

No setor industrial, cerca de 60% das empresas ainda não estruturaram uma área dedicada à sustentabilidade, tampouco desenvolveram métricas consistentes que integrem os fatores ambientais, sociais e de governança à tomada de decisão. Essa lacuna pode comprometer negócios com cadeias globais de suprimento, que exigem conformidade ambiental cada vez mais rigorosa.

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Na agroindústria e na agricultura, 47% das organizações enfrentam dificuldades para aplicar o conceito de dupla materialidade — ou seja, avaliar simultaneamente os impactos que causam ao meio ambiente e aqueles que sofrem por conta dele. Isso interfere diretamente na rastreabilidade e aceitação internacional dos produtos agrícolas e seus derivados, podendo prejudicar a comercialização em países que demandam transparência climática.

O setor de comércio também mostra grande vulnerabilidade: 75% das empresas não possuem certificações ESG ou ambientais, o que as coloca em posição frágil perante consumidores e investidores que priorizam empresas alinhadas às práticas responsáveis. A ausência de uma gerência de sustentabilidade não representa apenas um déficit técnico, mas uma ameaça concreta à competitividade.

Para enfrentar esse cenário, 60% das empresas planejam contratar consultorias especializadas, enquanto mais da metade pretende capacitar seus executivos e responsáveis por conformidade. A criação de métricas já é prática entre mais da metade das organizações, mas ainda é incipiente. A vinculação dessas métricas à remuneração da liderança — adotada por apenas 31% — é essencial para consolidar o compromisso com os objetivos sustentáveis.

A adoção de tecnologias avançadas já desponta como resposta estratégica. 62% das empresas já utilizam ou pretendem usar inteligência artificial em suas operações de relações com investidores até 2026, buscando maior integração entre os relatórios financeiros e os dados de sustentabilidade. Essa inovação contribui para aumentar a eficiência na comunicação com o mercado, apesar de os meios tradicionais — sites corporativos, e-mails e eventos institucionais — ainda prevalecerem.

Como bem alertou Paul Krugman em “A Consciência de um Liberal” (2007): “Os mercados não são oráculos infalíveis.” Hoje, tampouco são indulgentes com práticas empresariais negligentes em relação ao meio ambiente e à sociedade. A conformidade com as normas IFRS S1 e S2 não é uma escolha estética, mas uma exigência estratégica. Empresas que não se adaptarem até 2026 estarão à margem do novo capitalismo responsável — e da nova realidade de mercado.

*Adam Jordan é ensaísta e gestor de negócios ambientais sustentáveis (ESG). Mestre em Direito Constitucional Ambiental Tributário (UNIMAR, 2008, CAPES, 4). Representante da Brasil Carbono Florestal & Carbon Zero SoluçõesAmbientais. Autor de “Pequeno Manual Prático de Economia Verde: Um Guia para Executivos e Empresas em Busca de Sustentabilidade Total” (Amazon Books, 2023) e “Manual da Virtude – Ética nos Negócios ESG” (Amazon Books, 2025). Para contatar o articulista: mattaresgbrasilcarbono@aol.com