Em mensagens interceptadas pela Polícia Federal, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa — preso nesta quinta-feira (16) —, afirmou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que o então governador Ibaneis Rocha (MDB) previa resistências à compra do Banco Master e solicitou argumentos técnicos para justificar a operação estatal.
“O governador me pediu que preparasse um material para a argumentação dele, porque vamos receber críticas”, escreveu Costa a Vorcaro, em trecho reproduzido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A conversa fundamentou a nova etapa da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades na gestão do banco público. Além de Costa, foi preso o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador de Vorcaro.
Embora a decisão não precise a data do diálogo, o contexto indica que ocorreu antes de março de 2025, antecipando o anúncio oficial da fusão, feito no dia 28 daquele mês. O negócio, contudo, acabou vetado pelo Banco Central. Nas mensagens, Costa demonstrava entusiasmo com a parceria: “Cada passo me deixa mais empolgado com o que vamos construir”.
Os investigadores apontam que os dois alinhavam a futura estrutura de poder. Costa sugeria que Vorcaro assumisse cargos de comando em uma holding financeira ou no conselho do BRB. Na época do anúncio, o nome do ex-banqueiro chegou a ser confirmado para o Conselho de Administração, mas a forte repercussão negativa no mercado financeiro obrigou o banco estatal a recuar da indicação.
O outro lado
Procurado pela reportagem, Ibaneis Rocha minimizou o teor das mensagens. “Nada mais natural do que eu querer informações, mesmo que superficiais, sobre uma operação de compra de parte de um banco privado”, declarou o ex-governador, que foi o principal fiador político da transação.
Em nota, a defesa de Ibaneis afirmou que o diálogo “corrobora, de forma inequívoca”, que ele não acompanhava de perto nem interferia nas decisões do BRB. Segundo seus advogados, o ex-governador assegurava “plena autonomia decisória à área técnica” da instituição e não exerceu qualquer pressão sobre as operações sob investigação.





