O senador Fabiano Contatato. (Foto: Ag. Senado)


A CPI do Crime Organizado, presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), prepara-se para uma nova etapa de investigações que pode atingir o sistema financeiro e familiares de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Em requerimentos apresentados nesta quinta-feira (12), o parlamentar solicitou a quebra de sigilo da gestora Reag, ligada ao Banco Master, e a convocação de parentes de Dias Toffoli. A votação está marcada para 24 de fevereiro.

“Ninguém será blindado”, afirmou Contarato, ao justificar o aprofundamento das apurações sobre possíveis conexões entre o mercado de capitais e organizações criminosas.

Suspeitas sobre a Reag e o Banco Master

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A gestora já figurou em operações policiais de grande escala:

Carbono Oculto (2025): investigou fraudes bilionárias no setor de combustíveis, com participação do PCC.
Compliance Zero: apontou desvio de valores do Banco Master em esquema estimado em R$ 12 bilhões.

Para o senador, há indícios de que o mercado financeiro esteja sendo “instrumentalizado para conferir aparência de legalidade a operações ilícitas”.

O patrimônio da família Toffoli

Entre 2022 e 2025, o ministro, sua filha Pietra Ortega Toffoli e a advogada Roberta Rangel adquiriram quatro imóveis avaliados em cerca de R$ 4,9 milhões, todos sem registro de financiamento:

Apartamento de 154 m² no Noroeste, comprado por Pietra por R$ 2,5 milhões, à vista.
Quitinete no Lago Norte, adquirida por Toffoli em 2022 por R$ 79,5 mil, abaixo do valor de mercado.
Apartamento de 47 m² no Noroeste, comprado em 2024 por R$ 183 mil, também abaixo da avaliação.
Cobertura de 259 m² na Asa Norte, adquirida por Roberta Rangel em 2025, avaliada em R$ 4,1 milhões.

Em alguns casos, escrituras registraram usufruto vitalício em nome de empregadas domésticas ligadas à família, prática incomum no setor.

Escritório e negócios

O escritório Rangel Advogados, que já teve Toffoli como sócio, acumula patrimônio relevante: um terreno de 1.875 m² no Lago Norte, hoje avaliado em R$ 7 milhões, além de salas comerciais próximas aos tribunais superiores, estimadas em R$ 4,4 milhões.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal mencionam o nome do ministro em diálogos de empresários ligados ao Banco Master, tratando de pagamentos relacionados à empresa Maridt, que no passado participou de um resort no Paraná associado à família Toffoli.

Impactos políticos e institucionais

A CPI coloca em rota de colisão o Congresso e setores do Judiciário. A convocação de familiares de um ministro do STF é considerada medida rara e potencialmente explosiva. Analistas avaliam que o avanço das investigações pode abrir uma crise institucional caso o colegiado decida aprofundar a apuração sobre o patrimônio da família Toffoli.

Contarato insiste que não haverá blindagem. A frase ecoa como recado ao mercado financeiro e às elites políticas e jurídicas.