A Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS, criada para investigar fraudes bilionárias em descontos automáticos de aposentadorias e pensões, transformou-se em arena política entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto.
A oposição pressiona pela quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Governistas, por sua vez, defendem investigar as contas de Flávio Bolsonaro. Ambos aparecem em apurações ligadas ao empresário Antônio Carlos Antunes, o Careca do INSS, apontado como operador do esquema e preso pela Polícia Federal.
Em dezembro, governistas barraram a convocação de Lulinha, que viajara ao exterior acompanhado de Antunes. Agora, a estratégia é insistir na quebra de sigilo. A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, também foi alvo de busca e apreensão, acusada de prestar consultoria ao Careca.
No caso de Flávio Bolsonaro, o foco é Letícia Caetano dos Santos, sócia de um escritório de advocacia instalado no mesmo endereço da mansão adquirida pelo senador em Brasília. Ela é irmã de um dos sócios de Antunes, segundo revelou o colunista Lauro Jardim.
O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirma que dará andamento apenas a requerimentos diretamente relacionados às fraudes. Foram apresentados quase 5 mil pedidos. Ele garantiu que a quebra de sigilo de Lulinha será votada, mas disse ainda avaliar se o pedido contra Flávio tem pertinência ou caráter político. “Não vou permitir que a CPI se transforme em palanque eleitoral”, declarou.
Prorrogação em debate
O prazo da comissão termina em março. Viana tenta estender os trabalhos por mais 60 dias, mas depende da decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Para prorrogação automática, seriam necessárias 27 assinaturas de senadores e 171 de deputados, número ainda não alcançado.
A oposição avalia que a prorrogação pode desgastar Lula às vésperas da eleição presidencial de outubro. Mas também pode ser uma pedra no sapato de Flávio.
A CPI nasceu para apurar irregularidades reveladas pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.
Próximos passos
O foco imediato será a análise de operações de crédito consignado para beneficiários do INSS, incluindo o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. O depoimento de Vorcaro, previsto para hoje, foi adiado para 26 de fevereiro, após o carnaval, por alegar problemas de saúde. Segundo Viana, o banqueiro se comprometeu a comparecer sem recorrer ao Supremo. Caso falte, poderá ser convocado de forma coercitiva.


