O ministro da Economia de Cuba, Oscar Pérez-Oliva Fraga, também vice-primeiro-ministro de Cuba, que liberou investimentos a cubanos de Miami. (Reprodução)


Cubanos que vivem no exterior, em locais como Miami, EUA, poderão investir no setor privado e possuir empresas em seu país de origem. A informação foi dada pelo ministro da Economia de Cuba em entrevista à rede de TV NBC News.

Oscar Pérez-Oliva Fraga, também vice-primeiro-ministro de Cuba, afirmou que o “bloqueio” imposto pelos Estados Unidos dificulta esses esforços, enquanto a ilha enfrenta uma crise energética, raros protestos violentos e pressão pública do governo Trump.

“Cuba está aberta a ter uma relação comercial fluida com empresas americanas e também com cubanos residentes nos Estados Unidos e seus descendentes”, disse Fraga em uma reunião em Havana, antes de anunciar a novidade ao país na noite desta segunda-feira (16).

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A entrevista, a primeira concedida por Fraga, ocorre em um momento em que ele busca revitalizar a economia cubana, que enfrenta sérias dificuldades. As reformas anunciadas têm como objetivo criar um “ambiente de negócios dinâmico” e reativar setores como turismo, mineração e a modernização da obsoleta rede elétrica.

Segundo Fraga, que também atua como ministro do Comércio Exterior e Investimento, a medida “vai além da esfera comercial” e inclui investimentos de diferentes portes, especialmente em infraestrutura.

A notícia foi inicialmente divulgada pelo jornal Miami Herald, citando uma fonte não identificada.

No entanto, Fraga destacou que “o bloqueio dos Estados Unidos, a política de hostilidade contra Cuba, é sem dúvida um elemento que afeta o desenvolvimento dessas transformações”. Ele explicou que o bloqueio priva o país de acesso a financiamento, tecnologia, mercados e, mais recentemente, combustível.

Autoridades cubanas afirmam que nenhum carregamento de petróleo chegou à ilha nos últimos três meses.

Na sexta-feira, o governo confirmou pela primeira vez que mantém conversas com a administração do presidente Donald Trump, que advertiu Cuba de que poderia enfrentar destino semelhante ao de Nicolás Maduro, na Venezuela.

Trump já havia declarado que Cuba “vai cair em breve” caso não faça um acordo com ele, sugerindo até uma “tomada amigável” do poder na ilha.

Ele deu a entender que voltaria sua atenção para Cuba após a guerra no Irã.

Maduro foi capturado em uma operação americana em Caracas no início de janeiro e levado aos Estados Unidos, onde ele e sua esposa, Cilia Flores, foram acusados de conspiração para importar cocaína e posse de armas de guerra. Além disso, Maduro enfrenta uma acusação federal de narcoterrorismo.

Essa operação interrompeu carregamentos de petróleo entre Venezuela e Cuba, que acusa Washington de bloquear o fornecimento, já que militares americanos impediram a chegada de petroleiros à costa cubana.

O presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que a falta de petróleo provocou uma crise energética em toda a ilha, causando apagões e obrigando hospitais a adiar cirurgias.

Segundo o jornal estatal Invasor, essa situação desencadeou protestos violentos — algo extremamente raro em um país de partido único.

Uma manifestação pacífica na cidade de Morón tornou-se violenta no sábado, quando manifestantes atiraram pedras contra o prédio do Comitê Municipal do Partido e atearam fogo em uma rua.