Maxwell (à direita) com Epstein em uma das imagens divulgadas pelo Departamento de Justiça dos EUA - Reprodução


Presidente do comitê, James Comer, confirma audiência virtual em 9 de fevereiro; advogados alertam que ex-socialite deve invocar a Quinta Emenda e acusam painel de “teatro político”

Ghislaine Maxwell, cúmplice condenada do agressor sexual Jeffrey Epstein, aceitou testemunhar sob juramento diante do Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos EUA.

O presidente do colegiado, James Comer, anunciou que a audiência será realizada virtualmente no dia 9 de fevereiro, em meio ao turbilhão político que ainda cerca o caso Epstein e a condução do governo Trump.

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Maxwell cumpre pena de 20 anos de prisão por recrutar e traficar adolescentes para os abusos cometidos por Epstein.

Desde o início, sua equipe jurídica deixou claro: sem imunidade legal, ela não responderá às perguntas.

Comer reconheceu que os advogados já avisaram que a ex-socialite deve invocar a Quinta Emenda, direito constitucional de permanecer em silêncio.

O comitê rejeitou em julho qualquer oferta de imunidade e, em agosto, emitiu intimação exigindo que Maxwell prestasse depoimento.

Os advogados reagiram, classificando a exigência como “impossível” e “um risco real à segurança”, acusando o painel de transformar o processo em espetáculo político.

Em carta enviada nesta semana, a defesa reforçou que Maxwell seguirá recusando-se a falar: “Proceder nessas circunstâncias não serviria a outro propósito senão a um puro teatro político e desperdício do dinheiro dos contribuintes”.

Maxwell, condenada em 2021, tentou recorrer à Suprema Corte em outubro, mas o tribunal rejeitou analisar o caso.

Sua única saída antecipada seria um perdão presidencial — hipótese negada pela Casa Branca, embora Trump tenha dito que não descarta a possibilidade.

Paralelamente, o Departamento de Justiça enfrenta críticas por não liberar integralmente os arquivos de Epstein, cujo prazo expirou em dezembro. Legisladores de ambos os partidos acusam o órgão de esconder informações além do permitido por lei.

O comitê também discute a ausência de Bill e Hillary Clinton, que se recusaram a comparecer para responder sobre possíveis ligações com Epstein. A possibilidade de acusações de desacato contra o casal está na mesa.

O caso Epstein

Jeffrey Epstein virou sinônimo de escândalo mundial. O bilionário americano, com trânsito livre entre políticos, magnatas e celebridades, foi acusado de montar uma rede de tráfico sexual de menores que funcionava como um império paralelo. Mansões em Nova York, Palm Beach e até uma ilha particular no Caribe eram palco dos abusos. Ao lado dele, a ex-socialite britânica Ghislaine Maxwell, condenada em 2021 a 20 anos de prisão, era apontada como peça-chave no recrutamento das adolescentes.

Epstein foi preso em julho de 2019, mas um mês depois apareceu morto na cela em Nova York. A versão oficial fala em suicídio, mas até hoje pairam dúvidas e teorias de conspiração sobre o que realmente aconteceu. A morte encerrou o julgamento, mas não apagou as suspeitas sobre nomes poderosos que circulavam em sua órbita: Bill Clinton, Donald Trump, príncipe Andrew e outros figuram em registros de viagens e encontros, todos negando envolvimento direto nos crimes.

O caso ganhou ainda mais força com a promessa de documentos secretos, a chamada “lista de clientes”, que até hoje não foi totalmente liberada pelo Departamento de Justiça dos EUA. Parlamentares pressionam, acusam o governo de esconder informações e denunciam que apenas uma fração dos arquivos veio a público.

Enquanto isso, Maxwell segue presa e virou protagonista de novos capítulos: intimada pelo Congresso americano, ela resiste a depor sem imunidade legal e acusa o comitê de transformar tudo em “teatro político”. O escândalo continua vivo, misturando abuso sexual, poder e impunidade, e mantém o mundo atento a cada revelação.