Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de Abertura da Feira Industrial de Hanôver. Theodor-Heuss-Platz 1-3, Alemanha. Foto: Ricardo Stuckert / PR


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (19) a construção de uma matriz energética limpa em parceria com a Europa e a proteção ao emprego diante do avanço da inteligência artificial (IA).

Durante o discurso de abertura da Hannover Messe, na Alemanha, a maior feira industrial do mundo, o presidente voltou a criticar o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que classificou como “maluquice”.

Ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Lula afirmou que o Brasil é um parceiro estratégico para a descarbonização da indústria europeia e a redução de custos de energia.

Continua depois da publicidade

“Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”— afirmou o presidente.

Sustentabilidade e IA

Lula aproveitou o fórum, composto por autoridades e empresários, para contestar o que chamou de “narrativas falsas” sobre a agricultura brasileira. Ele criticou a criação de obstáculos ao comércio baseados em critérios ambientais.

“Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético”— disse.

Sobre a transformação tecnológica, o presidente citou o plano brasileiro de fomento à indústria 4.0, previsto para 2026, mas demonstrou preocupação com o uso bélico da tecnologia e o impacto no mercado de trabalho.

“A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais” — criticou, emendando com um apelo: “Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos, é preciso que nos lembremos que, por trás de cada invenção, tem um ser humano. Se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo só tende a piorar.”

Geopolítica e economia

Em relação ao cenário global, o presidente condenou o gasto mundial de US$ 2,7 trilhões em armamentos e pediu responsabilidade aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Lula pontuou que o Brasil tem buscado medidas internas para conter a inflação de energia decorrente da crise no Oriente Médio, já que o país ainda importa 30% do diesel consumido.

“São os mais vulneráveis que pagam o preço da inflação dos alimentos. O protecionismo ressurge como resposta falaciosa para problemas econômicos e sociais complexos”— declarou.

Acordos e meio ambiente

O presidente reforçou o compromisso com o desmatamento zero na Amazônia até 2030, destacando a redução de 50% nos índices da região nos últimos três anos. Ele também celebrou a proximidade da entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, prevista para daqui a duas semanas.

“Entrará em vigor o acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares”— celebrou.

Por fim, Lula ressaltou o potencial brasileiro em minerais críticos, como nióbio e grafita, mas alertou que o país não aceitará a posição de “mero exportador”, exigindo transferência de tecnologia nas parcerias internacionais.