Manifestação de tribos pedindo demarcação dos seus territórios. (Foto: EBC)


Neste domingo, organizações indígenas de todo o Brasil aproveitaram as celebrações do Dia dos Povos Indígenas para emitir um apelo urgente pela demarcação de suas terras. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) liderou o movimento, definindo a segurança territorial não apenas como um processo burocrático, mas como uma “reparação histórica” indispensável.

‘Sem demarcação não há vida’

Em manifesto publicado em suas redes sociais, a Apib destacou a resiliência das comunidades frente a ataques contínuos. “Seguimos resistindo porque nossos territórios continuam sob ataque e nossos corpos continuam sendo alvo”, afirmou a organização. O texto reforça que o território é o alicerce de todas as dimensões da existência indígena:

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“É onde plantamos, onde rezamos, onde enterramos nossos ancestrais e onde nossos filhos vão crescer.”

A organização também denunciou a violência sistemática, enfatizando que crimes como o garimpo ilegal, a exploração madeireira e o feminicídio não devem ser confundidos com tradições locais. “Violência não é cultura”, pontuou a Apib, reiterando que a soberania nacional e a democracia brasileira dependem da garantia dessas terras.

O impacto climático na Amazônia

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) conectou a falta de proteção territorial diretamente à crise climática. Segundo a entidade, a destruição dessas áreas afeta o equilíbrio da Amazônia, refletindo-se em secas extremas e degradação ambiental que impactam todo o país.

Para a Coiab, o avanço do agronegócio predatório e do garimpo sobre terras protegidas não é um conflito isolado, mas um “projeto contínuo de exploração” que ignora os limites legais e ambientais.

Uma questão de direitos humanos globais

A Anistia Internacional também se manifestou, lembrando que a celebração da data é impossível enquanto os direitos básicos forem violados. Citando dados da ONU, a organização ressaltou que os povos indígenas protegem cerca de 80% da biodiversidade do planeta.

“A resposta para a crise do presente já existe e ela vem de quem sempre esteve aqui”, afirmou a Anistia. A entidade defendeu que proteger esses saberes ancestrais e tecnologias de convivência com a natureza é a única forma de garantir um futuro viável para as próximas gerações.

Mudança na gestão federal

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) destacou o novo momento da política indigenista, agora com maior protagonismo dos próprios indígenas na gestão do órgão. De acordo com a Funai, essa mudança de liderança tem sido fundamental para destravar processos de demarcação e fortalecer a autonomia das comunidades.

Nota sobre o estilo: Seguindo o padrão do The Guardian, o texto utiliza uma estrutura de “pirâmide invertida” (as informações mais cruciais no topo), citações em destaque para dar voz direta aos protagonistas e contextualiza termos locais para uma compreensão global do impacto ambiental e social.