Parte do arsenal apreendido na Operação Contenção, no Rio. (Foto: Gov. RJ)


A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu 93 fuzis, 26 pistolas e um revólver durante operação realizada na terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, zonas norte da capital. A ação, voltada contra o Comando Vermelho (CV), também resultou em 121 mortos, segundo balanço oficial.

De acordo com o delegado Vinícius Domingos, chefe da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE), cerca de 90% dos fuzis de plataforma AR recolhidos são falsificados. “Quase todos os fuzis de plataforma AR são ‘copy fake’, são falsificados e armas com aptidão de tiro, mas que não são originais”, afirmou Domingos em publicação nas redes sociais.

A análise preliminar do arsenal indica que parte das armas tem origem em forças armadas de países vizinhos. Foram identificadas:

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  • 2 armas de tropas brasileiras
  • 2 armas de tropas venezuelanas
  • 1 arma de tropas argentinas
  • 1 arma de tropas peruanas

A predominância de fuzis falsificados aponta para o uso crescente das chamadas “ghost guns” — armas montadas com peças genéricas ou modificadas a partir de modelos originais. Segundo o policial federal Roberto Uchôa, especialista em armas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), há indícios de que essas armas tenham sido montadas no Brasil. “São armas com peças genéricas, esse sistema de ghost guns. Isso tem cada vez aparecido mais”, disse.

O secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que os complexos da Penha e do Alemão funcionam como centros de distribuição de armas e drogas para outras comunidades do Rio. “Chegam em torno de 10 toneladas de drogas por mês nessas comunidades, que depois são redistribuídas. E são negociados cerca de 50 a 70 fuzis por mês que chegam a esse complexo e são distribuídos para outras comunidades”, disse.

Entre os fuzis apreendidos, há modelos como AR-15 (28), AR-10 (21), AK-47 (16), FAL (14), G3 (12), além de exemplares menos comuns, como Benelli MR1 e Mauser.

As armas passarão por perícia técnica em delegacias especializadas. Após análise, serão incluídas em banco de dados estadual. A CFAE poderá solicitar judicialmente a destinação de armamentos em bom estado para uso policial. Os demais serão destruídos em até três anos.