Durante a inauguração do Hospital da Mulher em João Pessoa, nesta terça-feira (5), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se manifestou sobre a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em meio à tensão política que domina o retorno do Congresso após o recesso, Motta adotou um tom de cautela e institucionalidade.
Segundo o parlamentar, decisões judiciais devem ser cumpridas, independentemente de quem sejam os envolvidos. Ele destacou que o direito à defesa é garantido a todos, mas que não cabe ao presidente da Câmara — nem a qualquer outra autoridade — julgar ou qualificar decisões do Judiciário.
A declaração ocorre em um momento de forte mobilização da oposição, que ocupa espaços físicos da Câmara e do Senado em protesto contra a prisão de Bolsonaro. Deputados bolsonaristas anunciaram obstrução de pautas legislativas e se ausentaram de comissões importantes, como a de Constituição e Justiça, que foi cancelada por falta de quórum.
No Senado, a ocupação da mesa diretora também se intensificou, com parlamentares se revezando nos assentos desde o início da tarde. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, chegou a ocupar uma das cadeiras do plenário.
Motta, por sua vez, reafirmou o compromisso com o funcionamento regular da Câmara e com o respeito às instituições. Ele evitou alimentar o embate político e jurídico, reforçando que o processo judicial deve seguir seu curso nos autos, com atuação dos advogados e do magistrado responsável.
A postura do presidente da Câmara contrasta com a estratégia da oposição, que busca pressionar pela votação de pautas como a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e o impeachment de Alexandre de Moraes. Motta, no entanto, sinaliza que a condução da Casa seguirá pautada pelo regimento e pela estabilidade institucional.




